Águeda recebe a festa crioula de música, dança e sabores de Cabo Verde.
De 27 a 29 de março, a cidade acolhe o Kriol Jazz Festival e o Kontornu- Festival de Dança & Artes Performativas, dois festivais de origem cabo-verdiana, com workshops de dança, gastronomia, artesanato e instalações artísticas.
Serão três dias como palco de uma “enorme e verdadeira festa crioula”, com dois festivais (de música e dança), workshops, gastronomia, artesanato e uma instalação artística.
No plano musical, o Kriol Jazz Festival contará com atuações de nomes de referência como Os Tubarões, Brooklyn Funk Essentials e Yilian Cañizares, que subirão ao palco do Centro de Artes de Águeda ao longo dos três dias do evento.
Uma das novidades este ano é a estreia europeia do Kontornu – Festival Internacional de Dança & Artes Performativas, que decorre em simultâneo com o Kriol Jazz.
Na sua 4.ª edição, o festival é dirigido pelo artista cabo-verdiano Djam Neguin e escolhe Águeda como cidade anfitriã, apresentando espetáculos e workshops focados na criação contemporânea (como kuduro e batuko) e no intercâmbio artístico entre os dois territórios.
Destaque ainda para a presença das batukadeiras, símbolos vivos da tradição cultural de Cabo Verde.
Numa parceria com a Associação de Mulheres Cabo-Verdianas na Diáspora em Portugal, que traz a Águeda cerca de 50 elementos da Orquestra de Batukadeiras de Portugal, que para além do workshop de Batuko e de um espetáculo, vão ainda dirigir um showcooking aberto ao público da tradicional cachupa.
No âmbito das artes visuais, será apresentada a instalação sonora imersiva “Discursos Atlânticos”, desenvolvida a partir do projeto ARKIPÉLG, numa versão especificamente concebida para Águeda.
Criada por Carlos Noronha Feio, com curadoria de Ricardo Barbosa Vicente, a instalação explora a relação entre som e coordenadas geográficas, evidenciando a dimensão imaterial da paisagem, da memória e das identidades em relação.
“Tal como o jazz nasce do encontro entre diferentes tradições musicais e das diásporas atlânticas, também esta instalação se constrói a partir da sobreposição de sons provenientes de diferentes margens do mundo”, explica Ricardo Barbosa Vicente.
Evento celebra a cultura cabo-verdiana, consolidando Águeda como polo europeu do festival e reforçando as pontes culturais entre Portugal e Cabo Verde.
Para Jorge Almeida, Presidente da Câmara de Águeda, o regresso do festival representa também um sinal da abertura internacional da cidade.
“O Kriol Jazz é hoje um dos grandes festivais de música africana e é uma enorme honra para Águeda acolher este evento. É a prova de que relações de confiança e cooperação cultural podem criar projetos com impacto internacional”, afirmou, na conferência de apresentação do evento, esta quarta, no Centro de Artes de Águeda.
O Edil sublinhou ainda a ligação profunda entre Portugal e Cabo Verde.
“Temos uma ligação quase umbilical com Cabo Verde. Quando vamos a Cabo Verde sentimos que estamos em casa, entre os nossos. Aquilo que desejamos é que todos os cabo-verdianos que chegam a Portugal se sintam exatamente da mesma forma”, refere.
A realização do festival em Águeda resulta da relação de cooperação entre os municípios de Águeda e do Sal (desde o acordo de geminação assinado em 2018).
Esta parceria abriu caminho à internacionalização do Kriol Jazz Festival para a Europa, concretizada pela primeira vez no ano passado em Águeda.
A repetição da edição portuguesa, este ano, confirma o sucesso da estratégia.
Para José da Silva, promotor do festival, esta edição representa um passo importante na concretização da visão original do projeto.
“Estou muito satisfeito com esta programação do segundo ano do Kriol Jazz em Águeda, porque estamos a chegar àquilo que idealizámos desde o início: criar uma verdadeira festa crioula, onde várias expressões da cultura estejam presentes”, afirmou.
Segundo o promotor, a ambição passa por continuar a ampliar o festival ao longo dos próximos anos.
“A ideia é que o Kriol Jazz seja cada vez mais um espaço de encontro entre música, dança, artes e outras expressões culturais. Este ano já temos uma programação muito rica e acredito que iremos continuar a acrescentar novas dimensões ao festival”, referiu.
Ao longo de três dias, vão realizar-se várias atividades, como música, dança, gastronomia, instalação artística e artesanato, envolvendo associações, artistas e diferentes espaços da cidade, num programa pensado para diversos públicos, contribuindo para a formação de públicos e para a aproximação das comunidades à cultura cabo-verdiana.