"Manifestação não é uma má notícia mas pode transformar-se numa péssima notícia se for ignorada" - Maria Manuel Baptista (UA).

A presença de jovens, na rua, em protesto pelo direito à habitação não é, em si, uma má notícia para o país.

Posição é assumida por Maria Manuel Baptista, diretora do Centro de Línguas, Literaturas e Culturas da Universidade de Aveiro e do Programa Doutoral em Estudos Culturais.

A presidente da Rede Internacional e Rede Nacional em Estudos Culturais investiga há vários anos a relação entre cultura, poder, media e espaço público.

Investigadora diz que este é o sinal visível de uma geração marcada pelo medo e falta de esperança (com áudio).

Admite que a saída dos teclados para a rua é um sinal que o poder político deve valorizar.

Admite mesmo ser uma boa noticia se o protesto for escutado com atenção.

Quanto às tensões lembra que é assim que se manifestam as posição de quem representa a sociedade civil e o Estado (com áudio)

Entrevista de Maria Manuel Baptista ao programa “Conversas” sobre a mobilização em torno do direito à habitação.

O protesto pelo direito à habitação e contra o aumento do custo de vida teve início no Porto, a 10 de outubro, e alastrou depois a Lisboa e a várias outras cidades portuguesas, entre as quais Aveiro.

A investigadora fala sobre a tensão crescente entre quem se manifesta e as autoridades e analisa as declarações dos diferentes atores.

Um debate que o país centrou em torno de questões como os limites do protesto, o uso do espaço público e o papel do Estado.

A investigadora fala sobre a violência de Estado a partir dos Estudos Culturais, uma área que estuda a relação entre cultura, poder e vida quotidiana.

Considera que as manifestações são sempre espaço imprevisível e devem merecer valorização por parte do poder político pelas mensagens que comportam (com áudio).