Os mesários com assento na Assembleia-Geral da Santa Casa da Misericórdia de Ílhavo reúnem, em Assembleia Extraordinária, esta sexta-feira, para analisar uma exposição formal de uma vice provedora que aponta erros e omissões no funcionamento da Mesa liderada por Margarida São Marcos.
Há braço de ferro na condução da Santa Casa com acusações de “falta de cooperação”, “tratamento desigual entre membros” e “desvalorização das posições assumidas”.
Está aberto um quadro de críticas internas pouco depois da recondução da responsável pela instituição que gere, entre outros, o Hospital de Cuidados Continuados.
Os “Irmãos da SCMI” são chamados a apreciar uma ordem de trabalhos que inclui “apreciação de uma exposição formal apresentada pela Vice-Provedora da Mesa Administrativa relativa ao funcionamento da Mesa, à tramitação documental e ao processo PRR”, “apreciação do estado atual do processo PRR” e “reflexão sobre medidas a adotar para a salvaguarda da regularidade institucional da SCMI”.
Três pontos que deixam implícito clima de tensão interna na instituição de Ílhavo.
Os mesários seguem munidos de informação de suporte numa exposição que descreve um quadro de degradação do funcionamento interno da Mesa Administrativa, com denúncia sobre dificuldades de articulação entre os seus membros e concentração da condução dos assuntos na figura da Provedora.
A Vice-Provedora sustenta que os pelouros formalmente atribuídos (Recursos Humanos e Área Financeira) não foram acompanhados das condições necessárias ao exercício.
E acusa a presidente de protagonizar uma liderança em que as decisões relevantes surgem sem discussão prévia.
Além de citar as dificuldades recorrentes no acesso à informação necessária ao exercício das funções dos mesários, bem como “insuficiente” informação e acesso a documentos antes das reuniões e deliberações, sustenta que são exigidas responsabilidades formais sem a correspondente participação efetiva nos processos de decisão e acompanhamento.
Na área administrativa, são apontados erros e omissões nas atas das reuniões da Mesa Administrativa e avisos de que não serão subscritas mais atas, minutas ou documentos caso não correspondam às deliberações tomadas ou posições assumidas.
A Vice-Provedora questiona a forma como a Instituição está a ser administrada, apontando problemas de "governação interna, transparência documental e respeito pelo funcionamento colegial dos órgãos sociais”.
A exposição aponta para a necessidade de regularização do funcionamento interno, incluindo melhor organização documental, clarificação de responsabilidades, respeito pelas competências dos membros da Mesa e envolvimento dos órgãos próprios da Instituição.
Margarida São Marcos remete-se ao silêncio nesta fase e promete prestar todos os esclarecimentos em Assembleia-Geral remetendo declarações públicas para os dias seguintes.
Antecipa-se um confronto de posições e clarificação agendado para sexta, dia 19 de Junho, às 17h30, na sala de formação da Unidade de Cuidados Continuados e Integrados.