Filipe Neto Brandão no encerramento do centenário da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal.

Filipe Neto Brandão participa na sessão de encerramento do centenário da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal.

O deputado do PS, eleito pelo círculo eleitoral de Aveiro, Filipe Neto Brandão, que preside à Comissão de Saúde, encerrou, nessa qualidade, esta quarta-feira, a sessão comemorativa do centenário da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP), que teve lugar na Sala do Senado, na Assembleia da República.

Na sua intervenção, Filipe Neto Brandão lembrou, enaltecendo-o, o trabalho de várias gerações de dirigentes, de associados, e de colaboradores da APDP aos mais diversos níveis, evocando particularmente, porque justa, a memória do Dr. Ernesto Roma, fundador da então Associação Protetora dos Diabéticos Pobres (designação que a APDP manteve desde 1926 até 1973), médico, nascido em Viana do Castelo, que se encontrava em estágio num hospital de Boston no ano em que a insulina foi introduzida nos Estados Unidos e cuja vida foi, desde então, desde o seu regresso a Portugal e até à sua morte, sinónimo de dedicação ao tratamento e luta contra a diabetes.

Recordando a circunstância da sessão comemorativa decorrer na casa da democracia – aquela que a Constituição define como a assembleia representativa de todos os cidadãos portugueses -, o Presidente da Comissão de Saúde considerou ainda ser da mais elementar justiça reconhecer à APDP, não só o seu papel relevante no apoio à pessoa com diabetes, mas também, sendo a diabetes, como doença, um fator de desigualdade social, o papel decisivo da APDP para o reconhecimento e construção, na vida de todos os dias, da autonomia e dignidade social daqueles com que diuturnamente lidou e lida, ajudando assim, todos, a cumprir melhor o principio da igualdade que a Constituição de 1976 quis ver consagrado.

Acrescentou ainda o deputado que o país conta com a APDP para enfrentar com sucesso os desafios que a luta contra a diabetes colocam à sociedade de hoje.

Na verdade, essa é uma tarefa tanto mais urgente quanto os dados hoje demonstram - como os que constam do último Relatório Anual do Observatório Nacional da Diabetes - que a prevalência da diabetes entre nós está a aumentar. 

Os números apontam assim para que, entre os 20 e os 79 anos, se estime que 14,2% - um milhão e duzentos mil portugueses, portanto – tenham diabetes, sendo que essa prevalência aumenta significativamente com a idade, a ponto de se estimar que mais de um quarto das pessoas entre os 60 e os 79 anos terão diabetes. 

A relação entre essas ordens de grandeza e a pressão que as mesmas exercem sobre o SNS e o desempenho de todo o sistema de saúde serão assim, considerou o deputado aveirense, tão antecipáveis quanto indesmentíveis.

Dirigindo-se ao Presidente da APDP, José Manuel Boavida, Filipe Neto Brandão terminou a sua intervenção afirmando que o reforço da prevenção da diabetes constitui um desafio estrutural a que a sociedade portuguesa tem de saber corresponder e, também aí, o pioneirismo na promoção da literacia em saúde e a abordagem multidisciplinar que, desde a sua fundação, sempre caracterizaram a APDP, fazem desta um exemplo do qual todos terão a aprender e, bem assim, um agente verdadeiramente incontornável no sucesso da luta contra a diabetes.