O Deputado Filipe Neto Brandão, Presidente da Comissão de Saúde, nessa qualidade, e em representação do Presidente da Assembleia da República, interveio na sessão de abertura do evento “Por um Coração Melhor, para Todos: rumo a um Programa Nacional de Saúde Cardiovascular”, promovido pela Sociedade Portuguesa de Cardiologia, que teve lugar no Salão Nobre da Assembleia da República.
Na sua intervenção, o deputado eleito pelo círculo eleitoral de Aveiro, recordou que, até final do próximo ano, todos os países membros da União Europeia deverão dotar-se de planos nacionais de saúde cardiovascular, no âmbito do Safe Hearts Plan (em português, Plano Corações Protegidos), apresentado pela Comissão Europeia no final do ano passado, o qual surge na sequência de um compromisso expressamente assumido na candidatura que a Presidente da Comissão, Ursula Von der Leyen, apresentara já, em julho de 2024, ao Parlamento Europeu, para se fazer reeleger, e que mereceu então amplo acolhimento.
Tal plano, recordou, pretende responder àquela que é a principal causa de morte na União Europeia, ceifando perto de 1,7 milhões de vidas todos os anos e que, de modo mais abrangente, considerando incapacidades, antecipação de reformas, absentismo, etc, afetará cerca de 62 milhões de pessoas, custando, segundo estimativas da própria Comissão, mais de 282 mil milhões de euros por ano, em resultado da diminuição de produtividade e de produção económica.
Também em Portugal, essa constitui a principal causa de morte, com 33 mil mortes por ano, ou seja, uma morte a cada 15 minutos, sendo que não menos do que 8 em cada 10 dessas mortes prematuras poderiam ter sido evitadas, designadamente através de alterações comportamentais e de estilo de vida.
“A importância deste plano e desta causa são, pois, hoje, tão inquestionáveis quanto inadiáveis”, referiu o Presidente da Comissão de Saúde.
Filipe Neto Brandão recordou ainda que, como sucede de resto em outras doenças, com as denominadas determinantes sociais da saúde, também a prevalência de doenças cardiovasculares e mortalidade relacionada apresenta uma relação com o nível de rendimento e literacia dos cidadãos, com prejuízo daqueles de menor rendimento e menor instrução. “Nessa medida - a que acrescem outras desigualdades no acesso ao sistema de saúde -, estaremos aqui também perante um problema político, que assim carece de ser igualmente encarado pelos decisores políticos”, disse.
Concluindo, Filipe Neto Brandão exortou todos os presentes a mobilizarem-se para mobilizar, por seu turno, a sociedade portuguesa, para que “aquilo que sabemos hoje ser evitável possa vir a ser mesmo efetivamente evitado amanhã”.