O que está a aconteceu em Carrazeda, perante a falta de organização e a evolução do incêndio, deve merecer uma reflexão séria sobre a capacidade de resposta do SIRESP e, sobretudo, sobre a forma como o Estado tem vindo a tratar os territórios do interior.
Não basta falar de meios quando os incêndios acontecem. É necessário garantir planeamento, coordenação, comunicações eficazes, prevenção e capacidade operacional no terreno.
A situação vivida em Carrazeda volta a evidenciar fragilidades que não podem ser ignoradas. Quando um sistema que deveria garantir comunicações e coordenação entre os diferentes agentes de proteção civil demonstra dificuldades precisamente nos momentos em que é mais necessário, é legítimo questionar a sua eficácia, organização e capacidade de resposta.
A Distrital de Aveiro do REAGIR manifesta a sua total solidariedade para com a população de Carrazeda, os bombeiros, forças de segurança, proteção civil, autarquias e todos aqueles que estavam no terreno a combater o incêndio, muitas vezes colocando a própria vida em risco.
Mas solidariedade não chega.
É necessário exigir responsabilidades políticas e uma avaliação independente ao funcionamento do SIRESP em situações de emergência, identificando falhas, corrigindo procedimentos e garantindo investimento onde ele é efetivamente necessário.
O interior de Portugal não pode continuar a ser tratado como um território de segunda linha.
Durante anos temos assistido a uma concentração de investimento e de recursos nas grandes áreas metropolitanas, enquanto muitas regiões do interior enfrentam desertificação, envelhecimento populacional, menor capacidade de resposta dos serviços públicos e, simultaneamente, um risco acrescido de incêndios rurais.
A segurança das populações não pode depender do código postal.
Carrazeda é mais um alerta. Um alerta para a necessidade de reforçar os meios, melhorar as comunicações, garantir uma verdadeira coordenação operacional e investir de forma equilibrada em todo o território nacional.
A Distrital de Aveiro do REAGIR está solidária com Carrazeda e com todos os que enfrentaram a realidade no terreno.
Porque proteger o interior é também proteger Portugal.
Sérgio Vieira
Responsável Distrital de Aveiro
Partido REAGIR