A Unidade Local de Saúde da Região de Aveiro realizou a primeira mastectomia endoscópica.
Uma equipa de Senologia do Serviço de Cirurgia Geral da ULSRA, com Joana Noronha e João Andrade, em cooperação com a Fundação Champalimaud, através da participação de Pedro Gouveia, realizou a primeira Mastectomia Endoscópica Poupadora de Pele e Mamilo com reconstrução imediata.
A intervenção, tida como de sucesso, foi realizada numa jovem doente oncológica e deixa em aberto a oportunidade para mais procedimentos desta natureza na ULS da Região de Aveiro.
A mastectomia endoscópica poupadora de pele e mamilo com reconstrução imediata da mama é uma técnica cirúrgica emergente que pode melhorar os resultados estéticos, mantendo a segurança oncológica em pacientes adequadamente selecionadas, representando uma revolução em termos de qualidade de vida da doente oncológica e diferenciando bastante os cirurgiões.
Realizado endoscopicamente, esse procedimento permite a remoção do tecido mamário por meio de uma única incisão, substancialmente menor do que as usadas na cirurgia convencional.
A técnica pode reduzir o comprometimento funcional, melhorar os resultados estéticos após a reconstrução, facilitar a recuperação pós-operatória e melhorar a qualidade de vida mantendo a segurança oncológica.
Joana Noronha, Diretora do Serviço de Cirurgia Geral, responsável pela Unidade de Senologia e interveniente direta neste procedimento inaugural, mostrou-se bastante satisfeita pela conquista deste objetivo.
“Foi um trabalho de grande persistência, só possível com a preciosa colaboração da Fundação Champalimaud, mais propriamente do meu colega, Pedro Gouveia, e com a cooperação das empresas de equipamentos médicos. A partir de agora, estou certa de que tudo será feito para que este procedimento se torne recorrente na ULS da Região de Aveiro, beneficiando as doentes oncológicas da mama, que, cada vez mais, vão recorrer à nossa Instituição para se tratarem”, afirmou.
Este é um avanço que pode ajudar no tratamento do cancro da mama que constitui o tumor maligno mais frequentemente diagnosticado na mulher em Portugal.
De acordo com os dados mais recentes do Registo Oncológico Nacional (RON), em 2022 foram diagnosticados 9.017 novos casos de cancro da mama, correspondendo a cerca de um terço de todos os tumores malignos diagnosticados na população feminina portuguesa.
Um dos focos de preocupação está relacionado com o surgimento mais frequente em mulheres jovens.
Estudos realizados em Portugal demonstram que a incidência tem aumentado ao longo das últimas décadas em diferentes grupos etários, sendo particularmente relevante a evolução observada nas mulheres com menos de 45 anos.
Análise portuguesa encontrou um crescimento anual da incidência de 5,9% nas mulheres com menos de 40 anos e de 3,8% entre os 40 e os 49 anos.
Esta evolução é particularmente relevante porque o diagnóstico em idade jovem ocorre frequentemente fora da faixa etária abrangida pelo rastreio populacional.