O movimento “Porta a Porta”, integrado nas ações “Casa para Viver”, sai à rua este sábado em todo o país e Aveiro volta a manifestar preocupação pelos custos do acesso à habitação.
São 16 cidades a manifestar-se na luta pelo direito à habitação.
É também reação às ações do Governo para o setor.
Os ativistas dizem que as políticas para o setor colocando a habitação como “elemento da reforma estrutural do Estado”, em linha com o que já havia sido apresentado, estão erradas e são um guião já visto.
“Tudo velho, dos despejos, à liberalização do mercado e desproteção de quem precisa de casa para viver, a mais benefícios para quem lucra com isto, sendo este o seu único e verdadeiro objetivo. Não pode ser. Isto é pura propaganda para apresentar velhas políticas, aquelas que nos trouxeram até aqui, aquelas que até Bruxelas condena e aquelas que já anunciou vezes sem fim - só pode ser ganância de aumentar ainda mais os lucros dos especuladores, dos fundos, da banca”, reage o movimento nacional.
Sábado, nas principais cidades do país, os manifestantes prometem dizer “basta”.
“Já não dá” é o mote desta campanha.
“Não podemos continuar a viver assim. Os números, do INE e de Bruxelas não deixam margem para dúvidas sobre o quanto as políticas deste governo aceleraram e agravaram a situação que vivemos. É preciso travar já estas políticas, é importante reverter o caminho, é essencial que a reforma anunciada não veja a luz do dia e no lugar delas sejam aplicadas as políticas de habitação que fazem verdadeiramente falta ao país e a quem vive dos rendimentos do seu trabalho”.
A evolução no distrito de Aveiro tem confirmado agravamento de preços e dificuldades no acesso a habitação.
“Se tivermos em conta a linha temporal entre o 3º trimestre de 2020 e o 3º trimestre de 2025 (período mais recente no INE), digo-vos que só neste período, o preço das casas aumentou quase 60%, onde os municípios de Espinho, Aveiro e Ílhavo se destacam como os mais caros”.
No caso do arrendamento, entre o início de 2020 e o fim de 2024, o preço aumentou, em termos medianos, quase 50%, e de novo com Espinho, Ílhavo e Aveiro entre os mais inflacionados.
A manifestação volta a exigir o congelamento das prestações bancárias nos valores de fevereiro e defende que nenhuma prestação de crédito de primeira habitação tenha um valor superior a 35% dos rendimentos dos titulares desse crédito.
O protesto defende “regulação dos preços das rendas” em linha com os salários praticados no país e duração dos contratos, atuais e futuros, com uma duração mínima de 10 anos.
A lei dos despejos também entra na ordem do dia com oposição declarada do movimento “Porta a Porta”.
Em Aveiro a concentração acontece no sábado, dia 21 de Março, às 15h, no Largo Dr. Jaime Magalhães Lima.