A maioria que governa a Câmara de Ílhavo apresentou, ontem, uma "mochila" com valor indicativo de 4 milhões de euros para obras em equipamentos degradados no Município e reabriu um debate sobre as heranças.
Depois do tema ter marcado a abertura de mandato de João Campolargo, há 4 anos, na altura com queixas de ter recebido uma herança com peso financeiro significativo, a mochila muda de mãos e, agora, é a AD a apontar o dedo ao movimento independente "Unir para Fazer" de não ter resolvido os problemas que assumida ter corrigido.
Pavilhões, piscinas, espaços culturais, paços do concelho e estabelecimentos de ensino foram apontados como exemplos de obras necessárias no curto prazo.
A nova maioria avisa que este é mais um condicionamento à execução do projeto apresentado ao eleitorado em 2025.
Depois do peso do encargo com obras PRR, Rui Dias afirma que a herança recebida está longe de garantir uma vida desafogada aos novos titulares do poder executivo, tendo a maioria chamado ao debate a necessidade de recorrer à banca para empréstimo bancário.
O que já era tido como certo para suportar encargos das obras nas escolas, centros de saúde e habitação, sai reforçado pelas necessidades financeiras apresentadas em obras nos equipamentos municipais.
Mas o exercício acabou por ser criticado pelas bancadas da oposição que reprovaram a abordagem da maioria.
Os slides com fotografias de estruturas degradadas foram mostrados no salão nobre e o debate foi intenso.
O UpF fala em falta de respeito e apresentação irregular uma vez que o documento não tinha sido apresentado previamente à AMI.
UpF e PS lamentam a exposição das imagens sem acesso prévio ao dossiê.
Pedro Martins (PS) fala em deselegância institucional com imagens do anterior executivo em apresentação de obras de restauro que se revelaram problemáticas.
O PS sublinha que essa apresentação com imagens de equipamentos degradados deveria ter chegado previamente aos deputados.
Sérgio Lopes entende que faltou lealdade com a Assembleia.
Fala em exercício de “politiquice pueril” e de “instrumentalização da Assembleia para um número político”.
E acusa a nova maioria e o Chega de normalizarem a falta de acesso dos deputados municipais aos conteúdos.
Acusou, ainda, a nova maioria de dar tiros nos pés ao "esquecer" que parte dos problemas não resultam dos últimos quatro anos mas de dezenas de anos com responsabilidades também das maiorias do PSD.
A “mochila” herdada pela maioria AD, liderada por Rui Dias, aponta para obras de restauro na ordem dos 4 milhões de euros.
Margarida Alves, do PSD, aplaude o exercício por permitir conhecer a realidade de equipamentos que estando ao serviço da população apresentam sinais de degradação.
Recordou avisos deixados no anterior mandato quanto à forma como decorreu a obra no pavilhão de Ílhavo.
Fala em “extrema gravidade” uma vez que a obra exigiu montantes elevados e nunca correspondeu ao que tinha sido anunciado.
Avivou, ainda, a memória lembrando que chegou a defender a ativação de garantias junto do empreiteiro.
Flor Agostinho (PSD) lembra que parte dos equipamentos ali expostos tinham sido alvo de alertas e foram intervencionados nos últimos quatro anos mas mantêm deficiências estruturais.
António Pinho , do PP, admite que a “matéria de facto” não levanta dúvidas e aponta como prioritária a resolução dos problemas.
Rui Dias assume um exercício “pueril” mas com mensagem política sobre "responsabilidades", "encargos" e "condicionamentos".
O autarca de Ílhavo deixou claro que em, pelo menos, duas obras quis associar a imagem do anterior executivo a empreitadas usadas para ações de campanha, em obras que consumiram recursos e não resolveram os problemas.
Deixa ainda nota sobre os custos das operações por condicionarem o presente exercício (com áudio resumo).