Eduardo Couto é o novo líder distrital do Bloco de Esquerda.
Escolha foi decidida este fim de semana pelos aderentes do BE.
A Comissão Coordenadora Distrital de Aveiro do Bloco de Esquerda contou com uma lista, única, encabeçada por Eduardo Couto.
Depois da perda de peso eleitoral, o BE quer recuperar posições perdidas.
Admite que o faz em circunstâncias difíceis (com áudio).
Destaca-se a ausência de figuras que durante anos marcaram a vida do BE e que figuraram como candidatos em diversas eleições.
João Moniz e Nelson Peralta estão afastados desta nova etapa da política distrital.
O coordenador diz que os convites foram feitos e que não há qualquer saneamento político (com áudio)
Além do coordenador, a lista inclui Celme Tavares, Luís Grilo, Sónia Pinto e Mário Manaia nas cinco primeiras posições.
O antigo deputado Moisés Ferreira mantém-se entre os membros da equipa que dirige a distrital.
A nova Coordenadora Distrital tomará posse durante esta semana para um mandato de dois anos.
Entre as prioridades do Bloco de Esquerda para o distrito estão as questões laborais, o custo de vida, os serviços públicos e as alterações climáticas.
A Lista A, sob o mote “despertar a inquietação: raízes de futuro”, coloca as áreas sociais em foco pela “crise social, empobrecimento e limites da resposta política”.
Questões como a habitação, o custo de vida ou o estado dos serviços públicos surgem à cabeça das preocupações (com áudio).
“Há revolta e indignação, mas, no nosso país, falta a toda esta gente um espaço de organização, esperança e transformação da sociedade. Urge alargar um espaço comum onde essas experiências se juntam e ganham dimensão - e esse espaço é o Bloco de Esquerda”, refere a proposta da candidatura.
Bandeiras clássicas como o aprofundamento da “concentração de riqueza e de poder económico”, a “deterioração de serviços públicos e a defesa dos direitos dos trabalhadores que o BE vê ameaçados pelas alterações à Lei Laboral integram o programa de intervenção.
“Lutaremos contra uma perspetiva de futuro que normalize casos de despedimentos em massa, tais como os ocorridos, recentemente, na Yazaki Sultano, em Ovar, ou na YFFII de Oliveira de Azeméis, como também contra a precarização dos vínculos laborais, o corte do pagamento das horas extraordinárias, a facilitação da subcontratação e as crescentes dificuldades à luta por dignidade”.
A crise da habitação é outra bandeira ameaçada, segundo o BE, pela “ausência de uma política pública que priorize os inquilinos” contra a submissão à especulação imobiliária e falta de oferta pública que “empurram milhares de pessoas para situações de insegurança habitacional”.
“No distrito de Aveiro, o direito à habitação está posto em causa. Concelhos como Espinho ou Aveiro têm hoje dos preços por m2 mais caros do país, tornando impossível o acesso a uma casa, mesmo para quem trabalha e recebe salário. É função do Bloco construir mobilização em torno da reversão da completa desregulação do mercado habitacional no distrito de Aveiro, a par de exigir um reforço do parque público aliado a programas de rendas acessíveis”.
A emergência climática completa as linhas prioritárias com defesa de políticas sustentáveis e reforço dos transportes.
Na agenda continua a criação do Parque Natural da Região de Aveiro.
“Como tal, urge lutar por alternativas que deem um horizonte de esperança às populações do distrito e ao planeta, lutando pela requalificação da Linha do Vouga, pela preservação do perímetro Florestal de Ovar, hoje cada vez mais ameaçada pelo abate de árvores e pela gula imobiliária, e pela criação do Parque Natural da Região de Aveiro”.
Na agenda do Partido está o regresso do BE às bases.
“A reconstrução do Bloco passa pelo reencontro com trabalhadores, jovens, pessoas precarizadas, movimentos sociais e ativistas locais. Exige uma presença regular, escuta, organização e intervenção política e laços para lá dos momentos eleitorais, criando capacidade coletiva duradoura nos territórios”.
Eduardo Couto defende a criação de mais concelhias no distrito e a dinamização das que já existem.
E promete ação contínua junto dos mais jovens.
“Um partido que só aparece em tempo de eleições perde ligação social. Precisamos de presença regular nas lutas laborais, nas reivindicações pela habitação, na defesa da escola pública e do SNS, nas respostas locais à emergência climática. É nessa continuidade que se reconstrói confiança”.