Assembleia Municipal de Ílhavo aprova Plano e Orçamento. Peso da herança divide bancadas.

A Assembleia Municipal de Ílhavo aprovou, por maioria, Plano e Orçamento para 2026.

Depois do debate sobre as "mochilas" e o peso da herança do legado de Fernando Caçoilo, há quatro anos, as "heranças" continuam a dividir as famílias políticas.

O debate mantido esta noite acabou por colocar a nova maioria perante questões associadas aos planos de mudança e ao adiamento de projetos propostos ao eleitorado e sufragados a 12 de Outubro.

Repetiu-se o discurso apresentado em sede de executivo com a maioria liderada por Rui Dias a explicar que a carga de obras e o seu peso financeiro obrigam a um calendário que olha para quatro anos deixando claro que os compromissos assumidos com o eleitorado serão cumpridos até 2029.

São 11 milhões de euros em encargos municipais nos projetos financiados pelo PRR num orçamento de 67,5 milhões de euros. 

O PS diz que o Plano não corresponde à mudança anunciada e anota falta de abertura da nova maioria que, sem ter maioria absoluta, é acusada de não ter dado ouvidos à oposição.

Sérgio Lopes diz que os argumentos em torno da pressão financeira não podem justificar tudo uma vez que os encargos com obras em escolas e centros de saúde já eram conhecidos.

O vogal socialista classifica a proposta orçamental como de transição sem as novidades prometidas ao eleitorado.

Fala em inércia em diferentes áreas com cortes que identifica com a matriz ideológica da governação mais do que de pura gestão financeira.

A bancada do UpF encontrou nos planos para a nova travessia da Vista Alegre e o centro cívico da Gafanha da Nazaré símbolos maiores da desaceleração.

Fala em congelamento de planos para o centro cívico da freguesia.

Críticas apresentadas por Rui Rufino, José Pinto Reis e Pedro Cristo quanto às opções assumidas pelo executivo que congela algumas ações propostas e mexe noutras lançadas  no mandato anterior.

Cristo diz que o argumento financeiro contraria a "escola" PSD que no passado seria "mais ambiciosa".

Em defesa da maioria, PSD e CDS defendem que o orçamento do primeiro ano, completo, de mandato não deve ser encarado de forma isolada.

Notam impaciência perante um órgão executivo que cumprirá no início de fevereiro 100 dias de exercício.

O representante do CDS fala em plano condicionado pelos encargos financeiros deixando aberto caminho a um pedido de empréstimo.

Carlos Pedro Ferreira lembra que nos últimos ações a opção dos executivos foi reduzir a dívida e que, agora, chega o momento de criar mecanismos para investir, o que "leva o seu tempo".

Flor Agostinho, do PSD, afirma que não se trata de falta de ambição mas de respeitar a lei dos compromisso.

E acusa o movimento independente de não ser capaz de votar este primeiro orçamento em linha com o que os partidos da oposição fizeram há quatro anos, respeitando compromissos assumidos e que decorrem das opções tomadas pelo executivo liderado por João Campolargo.

A bancada do UpF apresentou votos diferenciados, de acordo com cada um dos seus eleitos, tendo sido registados 3 votos contra.

Esta posição acabou por gerar indignação na maioria que lamenta a forma como a maior força de oposição se posiciona poucos meses depois de deixar o poder.

O Orçamento do Município de Ílhavo para 2026 regista o valor global de 67,525 milhões de euros e assume o "peso" financeiro das grandes obras em escolas, centros de saúde e habitação.

Rui Dias assume o legado que, segundo o autarca, condiciona este primeiro ano de exercício.

Repetiu argumentos em torno da execução de obras e encargos assumidos que obrigam a gastar mais do que o previsto para cumprir os calendários do Plano de Recuperação e Resiliência cuja execução está abaixo do necessário.

O autarca de Ílhavo deixa claro que o programa apresentado ao eleitorado é para cumprir mas reconhece alterações na calendarização (áudio sequenciado).

Plano e Orçamento passou com 13 votos favoráveis da maioria, 9 abstenções(UpF e PS) e 3 votos contra da bancada do UpF.