Alberto Souto afirma que o processo do Cais do Paraíso está transformado no “Cais do Inferno”.
Reação do antigo autarca e candidato nas últimas eleições às buscas da PJ para recolher prova relacionada com alegados crimes de prevaricação e violação de regas urbanísticas.
Alberto diz que Luís Souto, o atual presidente, responsável pela defesa da não revogação do PP, e Ribau Esteves, responsável pela aprovação em final de mandato, são ambos responsáveis pelo processo mas dão mostras de querer empurrar responsabilidades.
“O Presidente sacode a água do capote e diz que o processo vem do passado. O ex-presidente diz que já há muito trabalho do actual executivo neste processo. Cada um espeta a sua faca no outro, mas têm razão os dois. Estão ambos implicados. O ex-presidente porque foi o autor primeiro de um crime urbanístico. O actual Presidente porque, como Presidente da AM, foi co-autor daquele e porque foi agente do mesmo crime, por vontade própria, quando fez ressuscitar o que morto estava”, afirma Alberto Souto em texto publicado nas redes sociais.
Fala em “pressa” de Ribau em fechar o processo no final de 2025 e “teimosia” de Luís Souto em reafirmar a política seguida.
Assume a presunção de inocência na ordem penal mas mantém a condenação política sobre o dossiê.
“É o mistério do Cais do Inferno: estavam os dois alertados para as ilegalidades e arriscaram cometê-las. Estavam ambos cientes da manipulação de um Plano para favorecer um privado em detrimento de outros e optaram pela manipulação gravosa. Preferiram tomar decisões irracionais (porque não fundadas em argumentos racionais), irresponsáveis (porque desconsideram o risco legal) e esteticamente absurdas. Quiseram mesmo violar as regras urbanísticas e quiseram mesmo beneficiar esse privado. É tudo muito estranho. Não obstante, sentem-se os dois tranquilos. É a serenidade da inconsciência. São criminosos urbanísticos sem arrependimento dos crimes. Não têm noção da gravidade dos seus actos. É lamentável. Porque o dolo foi patente. O crime urbanístico também. De tão flagrante dispensa até averiguações”.
Quanto ao timing das buscas admite que a coincidência com a entrada de Ribau Esteves na CCDRC levanta interrogações.
“Estas coincidências temporais são sempre um factor de desprestígio da independência do Ministério Público. Mas isso são outros quinhentos, que sempre verbero. Sejam as vítimas de esquerda ou de direita. Ribau irá para a CCDRC mau grado estas investigações e outras que vão surgir. Ainda agora veio a lume a sua condenação pelo Tribunal de Contas por violação reiterada das suas recomendações. Mas ninguém olha para o cadastro…”
Sobre o processo de investigação, admite que fica como esperança de que possa anular administrativamente o PP de Cais do Paraíso.