Investigadores da Universidade de Aveiro (UA) criaram um biomaterial com elevado potencial na medicina regenerativa e na engenharia de tecidos.
A origem é totalmente humana reduzindo o risco de rejeição e complicações imunológicas, e pode ser usado como base para criar microambientes que mimetizam tecidos e órgãos.
A UA submeteu pedidos de patente na Europa e nos Estados Unidos para proteger esta tecnologia.
Esta nova tecnologia é baseada em micropartículas obtidas a partir de proteínas provenientes de plaquetas, incluindo o seu método de produção e potenciais aplicações.
A tecnologia foi desenvolvida por uma equipa de investigadores do grupo de investigação COMPASS, do laboratório associado CICECO – Instituto de Materiais de Aveiro e do Departamento de Química (DQ) da UA, composta por João Mano, Maria Clara Gomes e Catarina Custódio.
O processo permite produzir rapidamente micropartículas a partir de proteínas derivadas de plaquetas humanas, com elevado potencial na medicina regenerativa e na engenharia de tecidos
Este biomaterial, explicam os investigadores, apresenta vantagens significativas: é de origem totalmente humana reduzindo o risco de rejeição e complicações imunológicas, e pode ser usado como base para criar microambientes que mimetizam tecidos e órgãos.
A plataforma também se destaca por dispensar materiais sintéticos e métodos de produção complexos, respondendo à crescente procura por soluções mais naturais e eficientes para adesão celular à escala micrométrica.
A equipa enumera as vantagens da criação: “A sua composição permite modelar várias funções celulares como adesão e proliferação, bem como construção de estruturas tridimensionais autónomas”.
“A topografia na superfície destas micropartículas é altamente controlável, sendo possível também a diferenciação autónoma de células estaminais em células do tecido ósseo”, acrescentam.
Na sequência deste trabalho foi apresentado um pedido nacional patente, patente já concedida, e um pedido internacional via Tratado de Cooperação em Matéria de Patentes (PCT), reforçando a estratégia da UA de valorizar e proteger o conhecimento científico desenvolvido na instituição.
O processo de proteção da patente contou com o apoio do gabinete de transferência de tecnologia e de valorização do conhecimento da UA, UACOOPERA, desde a fase inicial até à definição da estratégia internacional, agora consolidada com os pedidos na Europa e nos EUA.
A UACOOPERA é a estrutura responsável na UA pela identificação e instrução interna dos processos de proteção de direitos de Propriedade Intelectual.
A investigação foi realizada no âmbito do projeto europeu “Full human-based multi-scale constructs with jammed regenerative pockets for bone engineering (ERC-Adv-883370)”, financiado pelo Conselho Europeu de Investigação e liderado por João Mano, professor do DQ e coordenador do grupo COMPASS.
A inovação já despertou o interesse da empresa Metatissue, uma spin-off da UA, que avançou com o licenciamento da tecnologia.
Texto e imagem: UA