De Vagos às Gafanhas
Flor-de-Junco pegou-nos pela mão e levou-nos até… finais do séc. XVII. Só uma pequena recomendação: na história de hoje vamos usar alguns termos, algumas palavras, que talvez não sejam muito conhecidas dos nossos leitores mais novos.
Possivelmente vão ter que pedir ao avô e à avó que ajudem a interpretar. São termos do linguajar antigo da Gafanha. Os moços de lavoura, vindos da zona de Vagos, que costumavam passar aqui a época das pastagens, com o gado, começaram a gostar do sítio. Às vezes depois de arrumarem o gado, os moços ficavam à volta da fogueira a conversar entre si. - Isto é que é “bô pasto”, hem?! Vê-se o gado a medrar da noite para o dia, dizia o Manel. E o Zé, levando a mão em concha à cova de areia branca onde nascia água, bebeu e disse: - É Manel Jaquim, e a “auga”, hem?! Há lá “auga” mais fresca “ca” esta?....
Episódios
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FLOR-DE-JUNCO E A PRINCESA26.04.2026OuvirNós conhecemos a fada do esteiro há muito pouco tempo, mas ela já existe há muitos anos. É que as fadas são seres extraordinários, não têm idade, vivem enquanto nós quisermos que elas vivam na nossa imaginação. Pois a fada do esteiro, Flor-de-Junco, contou-nos uma história que se passou aqui na região de Aveiro, já lá vão mais de 500 anos. Foi no ano de 1472, numa noite serena, uma daquelas noites em que até o gigante vento tinha adormecido. Flor de Junco resolveu, num dos seus passeios, aproximar-se das muralhas da vila de Aveiro.....
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O VENTO SECOU O PÂNTANO25.04.2026OuvirAgora que o problema das dunas estava resolvido, graças ao saber da fada-mestra, um novo problema surgiu: é que, no meio das areias, havia muitas zonas com água e como o vento não soprava as águas estavam quentes e paradas, criavam muitos mosquitos e com tantos mosquitos a pobrezinha da fada não podia brincar… e lamentava-se:...-Já não sei o que fazer… eu que tanto sonhava ter uma terra livre e com ar puro para viver, estou aqui quase asfixiada nestas águas estagnadas. Eu que tanto me esforcei para defender as areias do gigante vento… agora… quase tenho saudades dele…
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AS DUNAS E AS SEMENTES MÁGICAS24.04.2026OuvirA fada estava encantada com as suas dunas. Passava os dias correndo na areia, escorregando duna abaixo e dando cambalhotas, umas atrás das outras… Mas… nem sempre era possível fazer isso. Muitas vezes quando acordava, já NÃO ENCONTRAVA as dunas como as tinha deixado no dia anterior: tinham mudado de sítio… de tamanho… de forma…..
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O PRESENTE DO ATLÂNTICO23.04.2026OuvirAproximava-se mais um aniversário de Flor-de-Junco, ou talvez devêssemos dizer um CENTENÁRIO, uma vez que as fadas só festejam o nascimento de cem em cem anos… O Atlântico, que se tornara grande admirador da sua obra, queria oferecer-lhe um presente. Pensou, pensou longamente… como só os oceanos sabem fazer…
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A GAFANHA NASCEU DO FUNDO DO MAR22.04.2026OuvirEra por volta do ano 1000 quando a fada do esteiro nasceu, e nasceu aqui, nesta zona lagunar onde vivemos. Não sei se todos sabem que nesse tempo este lugar ainda era o fundo do mar. O mar chegava a Aveiro, a Ílhavo, a Vagos… Formava uma grande baía que se estendia desde Espinho até Mira.....