Incendios australia
Os fogos na Austrália foram um dos últimos eventos extremos e desastres ambientais ocorridos no mundo. Apesar dos incêndios florestais serem uma parte integrante do ecossistema australiano e um processo importante na regeneração da terra, estes fogos bateram todos os records desde que há registo, com as alterações climáticas no topo da lista dos culpados.
Estima-se que 5 milhões de hectares tenham sido destruídos até ao momento com 2000 casas destruídas – uma extensão 5 x maior que os fogos na Amazónia e 50 x os fogos na Califórnia. Estes números são ainda mais dramáticos juntamos a morte de pelo menos 25 pessoas (incluindo bombeiros) e mais de 500 milhões de animais afetados.
Para além do perigo imediato que os fogos causam aos residentes das áreas afetadas, os incêndios são uma ameaça para a saúde humana a curto e longo prazo devido às emissões e degradação da qualidade do ar. São vários os poluentes emitidos pelos fogos florestais, sendo um deles em forma de matéria particulada, cuja exposição tem impactos saúde humana, em particular no aparelho respiratório e sistema cardiovascular. Nas últimas semanas foram medidos valores de PM2.5 acima dos 200 µg.m-3 em diferentes locais na Austrália (incluindo grandes cidades onde vivem milhões de habitantes), estabelecendo valores recordes. Recorde-se que o valor limite médio anual estabelecido pela OMS para as PM2.5 é de 20 µg.m-3. Os poluentes emitidos pelos incêndios na Austrália viajaram já milhares de kilómetros, afetando áreas muito mais remotas como a Nova Zelândia e a América do Sul.
A expressão “o ar é de todos” confirma-se mais uma vez. Um recurso sem fronteiras físicas nem políticas, cuja degradação causa efeitos não só locais como também bastante longe das fontes poluidoras...
Alexandra Monteiro
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