Vale de Ílhavo: “Queima do Judas” inclui encenação especial.

Vale de Ílhavo prepara as celebrações da Páscoa com mais uma “Queima do Judas”.

Evento está marcado para este sábado, dia 4 de abril, numa organização da Associação Cultural e Recreativa “Os Baldas”.

Programa conta com o espetáculo “Brincar com o Fogo”, com criação, dramaturgia e encenação de Rafael Ascensão, numa produção da Associação Cultural “100 Personagens”.

A programação terá início às 21h30, sendo o espetáculo apresentado às 23h00, culminando com a tradicional queima do Judas e fogo de artifício.

A Queima do Judas em Vale de Ílhavo tem vindo a afirmar-se como um “exemplo relevante” de transformação de uma tradição popular, articulando memória coletiva, participação comunitária e criação artística contemporânea.

Desde 2022, a integração de um espetáculo teatral profissional reforça esta dimensão, contribuindo para uma experiência “mais participada” e “simbolicamente aprofundada”.

“Brincar com o Fogo” insere-se neste contexto como projeto de investigação-criação, explorando a relação entre teatro, ritual e identidade coletiva.

Rafael Ascensão é ator, encenador, dramaturgo e produtor cultural, fundador da 100 Personagens.

Desde 2022, é responsável pela criação dos espetáculos centrais da Queima do Judas em Vale de Ílhavo, desenvolvendo um percurso artístico focado na interseção entre teatro e comunidade.

“Brincar com o Fogo” é um espetáculo que cruza teatro e ritual comunitário, partindo da fuga de uma personagem acusada pela comunidade e desenvolvendo-se num espaço simbólico entre memória, culpa e julgamento coletivo, envolvendo diretamente a população local.

“Brincar com o Fogo” constrói-se a partir de uma acusação: Judas terá sido responsável pelo corte de um símbolo identitário da comunidade.

Este acontecimento desencadeia a sua fuga, não apenas enquanto ação narrativa, mas como movimento simbólico de evasão à culpa, ao julgamento e à exposição pública.

Refugiado numa casa isolada - espaço ambíguo entre o real e o mental - o Judas habita um território fragmentado onde memória, trauma e desejo se confundem.

Esta casa assume-se como uma projeção da sua mente, tornando-se palco de uma travessia interior.

A narrativa é conduzida por uma Mulher, figura central e enigmática, cuja identidade permanece indefinida: poderá ser alguém que o procura, alguém que o deseja, uma consciência ou uma extensão do próprio Judas.

A sua ambiguidade estrutura toda a ação.