Há meses alertámos para a falta de meios, para as fragilidades do SIRESP e para a necessidade de reforçar a prevenção no distrito de Aveiro.
Ontem, em Eixo e Eirol, foram mobilizados 315 operacionais, 86 viaturas e 11 meios aéreos. A A1 esteve cortada durante mais de cinco horas, provocando enormes filas e condicionando uma das principais artérias económicas do país.
Mas o problema não se mede apenas em números.
Em Arouca, quatro bombeiros ficaram feridos, três deles com gravidade, quando se deslocavam para combater um incêndio. Uma viatura destruída, famílias em sofrimento e homens que arriscam diariamente a vida por todos nós.
E perguntamos: quanto custa ao distrito cada hora de uma A1 encerrada? Quanto perdem as empresas com entregas adiadas, transportes parados e trabalhadores retidos? Quanto mais terá de acontecer para que as promessas deixem de ser anúncios e passem a ser meios concretos no terreno?
Até Quando?
Até quando vamos continuar a falar de prevenção depois de o fogo começar?
Até quando os nossos bombeiros terão de enfrentar terrenos difíceis, grandes áreas florestais e condições extremas sem que exista uma verdadeira estratégia permanente para o território?
Até quando o distrito de Aveiro terá de voltar a demonstrar, incêndio após incêndio, que não pode ser tratado como um território de segunda linha?
O Governo anunciou investimentos e medidas para reforçar o SIRESP e as comunicações críticas, incluindo 36 milhões de euros de investimento e novas estações móveis.
Mas as populações e os operacionais precisam de mais do que anúncios.
Precisam de medidas concretas. Precisam de meios. Precisam de prevenção. Precisam de resposta. E precisam dela antes da próxima emergência.
A Distrital de Aveiro do Partido REAGIR continuará a exigir que os compromissos assumidos para o distrito sejam efetivamente cumpridos.
Porque não podemos aceitar que a política pública continue a chegar depois da tragédia.
Não queremos mais discursos depois dos incêndios.
Queremos prevenção antes dos incêndios. Não queremos promessas. Queremos meios no terreno.
O distrito de Aveiro já perdeu demasiado território, demasiado património e já colocou demasiadas vidas em risco.
Não queremos voltar a ouvir explicações depois da tragédia. Queremos respostas antes dela.
A pergunta mantém-se: até quando?
Sérgio Vieira
Responsável Distrital de Aveiro
Partido REAGIR