A discussão em torno da Ponte da Vista Alegre merece ser feita com seriedade, memória e honestidade política.
Infelizmente, o recente artigo de opinião publicado por elemento ligado ao Movimento Unir para Fazer (UPF) prefere a propaganda à verdade dos factos, muito provavelmente como “prova de vida política”, embora se note a escassez de temas e assuntos, o que é revelador da forte capacidade de gestão autárquica do atual Executivo Municipal.
O PSD Ílhavo nunca fugiu às suas responsabilidades neste dossier, nem o Executivo Municipal.
E nunca se esconderam em nenhum gabinete. Promoveram o debate, frontal e direto, com a comunidade, explicando as suas opções e ouvindo os munícipes.
O Executivo Municipal, com total apoio do PSD, sempre assumiu que a Ponte da Vista Alegre representa uma necessidade estratégica para o Município, quer para a mobilidade das populações da Gafanha da Boavista e Vista Alegre, quer para a coesão territorial.
Foi nesse sentido que o PSD, na altura na oposição na Câmara Municipal, aprovou o Concurso de Ideias para a Ponte da Vista Alegre.
O que o PSD nunca aceitou, e tal como explicou já aos ílhavenses, não aceitará, embarcar em soluções tecnicamente questionáveis, financeiramente irresponsáveis e politicamente fechadas sobre si próprias.
Importa recordar a cronologia.
Entre 2021 e 2025, enquanto o UPF liderava a Câmara Municipal de Ílhavo, a Ponte foi-se degradando progressivamente até ao atual encerramento por razões de segurança, das quais uma gestão autárquica consciente nunca abdicará. Hoje todos reconhecem, comprovam e testaram existirem problemas estruturais graves.
O que o artigo do UPF convenientemente omite é que esses problemas não surgiram de um dia para o outro.
Houve anos de ausência de decisão, ausência de manutenção estrutural adequada e ausência de planeamento responsável, o relatório de avaliação do estado de degradação estrutural da Ponte da Vista Alegre, em Ílhavo, elaborado pelo Departamento de Engenharia Civil, da Universidade de Aveiro, e coordenado pelo senhor professor eng. Hugo Rodrigues, remete para 2023 um relatório de inspeção principal e subaquática da Ponte da Vista Alegre que diz: “ … resultante de uma inspeção detalhada, incluindo observação subaquática, classifica a estrutura globalmente com estado de conservação EC3 (mau estado), identificando um conjunto significativo de anomalias com impacto na durabilidade e no desempenho estrutural” e mais, fruto da não intervenção preventiva “A ausência de intervenções estruturais corretivas após a identificação das anomalias em 2023 terá contribuído para a sua evolução.”, evolução esta, que levou ao inevitável encerramento da Ponte da Vista Alegre. Dois anos sem segurança, dois anos.
Podemos ainda retirar do relatório o seguinte “Neste contexto, considera-se tecnicamente fundamentada a adoção de medidas de restrição de utilização, bem como a necessidade de realização de uma avaliação estrutural detalhada e urgente, suportada por inspeções complementares e eventual recurso a ensaios e modelação, com vista à definição de uma estratégia de intervenção que assegure a reposição das condições adequadas de segurança e funcionalidade da estrutura.”
Mais grave: durante esse período, o executivo UPF insistiu em avançar politicamente para uma nova ponte sem garantir previamente os estudos técnicos essenciais que sustentassem a viabilidade da solução apresentada. O caso do estudo geotécnico é paradigmático. Para além de, perante o histórico, e as vistorias realizadas preferir empurrar a necessária e urgente intervenção na Ponte para a megalomania de uma ‘obra de regime’ eleitoralista.
Ao contrário do que agora tentam fazer crer, não foi o PSD que “inventou” a necessidade desse estudo. O que o PSD sempre afirmou, e o tempo veio confirmar, é que uma obra daquela dimensão não podia avançar sem conhecimento rigoroso das condições do terreno e da capacidade estrutural existente. Isso não é ignorância técnica.
É precisamente o contrário: é prudência, rigor e respeito pelo dinheiro público, pelo orçamento municipal, pela coesão do território e, acima de tudo, por um dos valores essenciais: a segurança dos cidadãos.
O resultado está hoje à vista de todos. Quando finalmente o estudo geotécnico foi realizado, verificou-se que as condições reais do local tornavam a solução apresentada muito mais complexa e muito mais cara do que aquilo que tinha sido anunciado politicamente.
O custo disparou para valores próximos dos quatro milhões de euros, sem que tivesse existido qualquer discussão pública séria sobre alternativas, prioridades ou impacto financeiro para o Município.
É importante esclarecer outro ponto que o UPF procura deturpar deliberadamente: o PSD nunca votou contra a procura de soluções para a Ponte da Vista Alegre. Nunca.
O PSD aprovou o concurso de ideias porque entende que estudar propostas e alternativas, e promover reflexão técnica é positivo e desejável.
O que o PSD recusou foi transformar um concurso de ideias numa imposição política sem debate público, sem maturidade técnica consolidada e sem avaliação financeira responsável, criando uma ilusão na comunidade que ainda hoje tentam implementar, esquecendo todo o histórico nos últimos quatro anos de gestão autárquica e sem explicarem à população como iriam executar o projeto, que alternativas haveria, como financiariam o investimento e que impactos teria no orçamento municipal.
Já basta aos ilhavenses os reflexos a incerteza que os cerca de 12 milhões de euros das obras PRR vão ter no bem-estar e na qualidade de vida que que todos merecem.
Existe uma diferença enorme entre admitir a necessidade de uma solução e aceitar cegamente qualquer solução.
O projeto apresentado pelo então Executivo do UPF foi tratado como uma inevitabilidade, quase como uma obra de vaidade política em final de mandato (esquecendo todo o anterior período de gestão), sem que os munícipes tivessem oportunidade de conhecer alternativas, comparar cenários ou discutir prioridades. Tudo isto num contexto em que o próprio Município enfrentava limitações financeiras relevantes.
Também não deixa de ser curioso assistir agora ao UPF tentar atribuir ao PSD uma alegada oposição ideológica à construção de uma nova ponte. Essa narrativa é falsa. O PSD nunca afirmou que “não haveria nova ponte”.
O que o PSD afirmou foi algo muito simples e sensato: qualquer solução teria de ser tecnicamente sustentada, financeiramente equilibrada e enquadrada numa visão séria para o território.
Aliás, foi precisamente o atual executivo PSD que teve a responsabilidade de pedir novas avaliações técnicas independentes e de encarar de frente a realidade estrutural da ponte existente, realidade essa que muitos preferiram ignorar durante anos.
O relatório recentemente conhecido recomenda a manutenção do encerramento da ponte por razões de segurança. E perante isto há uma pergunta inevitável: porque não foram tomadas decisões mais cedo? Porque se deixou chegar a infraestrutura a este ponto crítico, colocando em risco as pessoas e bens?
A verdade é que a gestão deste processo pelo UPF ficou marcada por sucessivos erros de planeamento: ausência atempada de estudos fundamentais, subavaliação dos custos reais da intervenção, falta de discussão pública, insistência numa solução única e incapacidade de prevenir o agravamento do estado da ponte entre 2021 e 2025.
O PSD não fará política com ilusões, nem com promessas fáceis. A população da Gafanha da Boavista e da Vista Alegre merece mais do que slogans ou artigos de autojustificação. Merece transparência, segurança e soluções credíveis. Merece uma gestão autárquica séria e responsável, mesmo que suscetível de críticas às quais a Câmara Municipal e o PSD de Ílhavo nunca virarão costas.
É precisamente isso que o atual Executivo está a fazer, com todo o aval do PSD Ílhavo: avaliar tecnicamente todas as possibilidades, garantir segurança às populações e encontrar uma solução sustentável para o futuro, sem aventuras financeiras, sem decisões precipitadas e sem colocar propaganda à frente do interesse público.
A Ponte da Vista Alegre é demasiado importante para continuar a ser usada como instrumento de combate político. O Município precisa de soluções sérias. E é isso que o PSD continuará a defender.
Comissão Política Secção Ílhavo PSD