Dia Mundial da Fisioterapia - Artigo de João Carvalho

Dia Mundial da Fisioterapia

Todos os leitores têm conhecidos que já sofreram um Acidente Vascular Cerebral. 

Todos os leitores têm conhecidos que sofrem de insuficiência cardíaca. 

No entanto, nem todos os leitores sabem que a fisioterapia desempenha um papel importante na recuperação, na reabilitação e na reintegração destes sobreviventes. 

Reconhecendo essa lacuna, o tema do Dia Mundial da Fisioterapia, celebrado a 8 de setembro, é a Doença Cardiovascular e o Acidente Vascular Cerebral (AVC). 

Estimando-se que mais de 700 mil portugueses têm doença cardiovascular, o que significa que necessitam de reabilitação cardíaca para a máxima recuperação possível e manter esse trabalho para não piorar a sua condição. 

Os fisioterapeutas têm um papel fundamental na equipa envolvida na reabilitação cardíaca, sendo o exercício físico o principal “medicamento”, que, tal como qualquer terapêutica, é adaptada às limitações e condições do doente, com doses determinadas e, após a sua aplicação, tem de ser reavaliado e novamente ajustado. 

Este processo deve ser baseado em conhecimento científico e não em práticas empíricas. 

Os utentes que fazem reabilitação cardíaca têm menos 30% de risco de mortalidade cardíaca. 

Os utentes que NÃO fazem reabilitação têm menor probabilidade de voltar à vida social “normal”. 

Por outro lado, 50% dos sobreviventes de AVC ficam com sequelas incapacitantes permanentes para o resto da vida. 

Um exemplo recente é o humorista Nuno Markl, que teve dois AVC em novembro. 

Apesar da resposta rápida da equipa médica, do acesso a serviços de saúde de qualidade, do início precoce da fisioterapia e do trabalho diário, longo e intensivo de reabilitação, o humorista ainda tem muitas limitações físicas que lhe criam grande dependência de um cuidador. 

Nestes casos, a reabilitação é muito mais do que o ganho de movimento e força, como nos casos músculo-esqueléticos, aos quais mais frequentemente se associa a fisioterapia. 

Nos sobreviventes de AVC, muitas vezes é necessário reeducar o controlo da urina e das fezes, reaprender a andar, ensinar as atividades de vida diária com o uso de apenas uma mão, criar formas alternativas de comunicação — pois, por vezes, estes acidentes afetam a fala — e procurar ajudas técnicas para que os doentes se tornem o mais independentes possível. 

Apesar do trabalho árduo dos utentes e da equipa de reabilitação, 40% dos doentes que sofreram AVC necessitam de apoio ou total dependência de terceiros ao fim de um ano, o que significa que o trabalho com estes sobreviventes é longo e exige persistência. 

Sabendo que cada caso é um caso e que cada utente tem a sua casa, família e amigos, é fundamental elucidar os portugueses sobre as sequelas destes acidentes, para que se preparem quando os seus familiares e amigos estiverem nestas situações. 

É importante que se preparem para esta longa caminhada e abandonem os preconceitos, pois será cada vez mais frequente encontrar pessoas na rua com estas limitações. 

Principalmente, é essencial ultrapassar o preconceito de que estas adversidades são o fim da linha para muitos, quando, na verdade, podem ser o início de uma nova fase da vida — uma fase em que o fisioterapeuta terá um papel fundamental e fará parte do quotidiano destes sobreviventes. 

Para tal, os fisioterapeutas portugueses investem cada vez mais em formação nestas áreas específicas, para se tornarem profissionais mais competentes, estando a Ordem dos Fisioterapeutas a trabalhar para criar a carreira de Fisioterapeuta Especialista.

Os portugueses reconhecem esse esforço e depositam cada vez mais confiança nos fisioterapeutas para ajudar a resolver os seus problemas, incluindo os seus problemas cardiovasculares e as consequências dos seus acidentes vasculares cerebrais.

 

João Carvalho CP. 14927

Gabinete de Fisioterapia na UA