O agrupamento português Ars Ad Hoc estreia-se em Espanha esta sexta-feira, dia 29 de Maio, com um novo programa de compositores ibéricos integrado na prestigiada Mostra Sonora Sueca.
Realizado em Valência, na localidade de Sueca, este festival é amplamente reconhecido no meio artístico como evento de pequena dimensão, mas de grande impacto e relevância.
Afastada da lógica dos grandes festivais, a Mostra Sonora foca-se exclusivamente numa programação musical bastante exigente, altamente especializada e de pendor vanguardista.
É precisamente esta curadoria rigorosa que lhe confere um estatuto de prestígio internacional no ecossistema da música contemporânea, funcionando como um ponto de encontro vital onde a escala íntima do evento potencia uma experiência profunda e uma proximidade única entre os intérpretes, os criadores e o público.
A participação do Ars Ad Hoc nesta 22ª edição da Mostra Sonora assume uma importância estratégica e simbólica profunda, materializando-se num programa inteiramente dedicado à música de compositores ibéricos actuais, cobrindo estéticas bastante diversas.
A obra central do programa é o monumental Trio III, composto em 2008 por José Manuel López López (1956), compositor madrileno residente em Paris que é homenageado nesta edição da Mostra Sonora e com o qual o grupo teve a feliz oportunidade de trabalhar directamente em 2025.
Antes de dar a escutar o Trio III, que encerra o concerto, o Ars Ad Hoc faz a estreia absoluta do Trio II “Migraciones” (2026), criado para a ocasião pelo valenciano José Miguel Fayos Jordán (1980), bem como a estreia em solo espanhol de “Silente” (2025), do português Pedro Berardinelli (1985).
Muito próximo do final da oitava temporada do Ars Ad Hoc, este concerto apresenta um programa que cruza diferentes gerações e geografias da Península Ibérica, abrindo com as “5 Miniaturen für Klaviertrio” (2020), de Iván González Escuder (1979) e incluindo, ainda, o trio “Rust” (2024), da luso-espanhola Inés Badalo (1989).
Foi graças ao desafio lançado pela Mostra Sonora Sueca que o Ars Ad Hoc travou contacto com a música de González Escuder e de Fayos Jordán, compositores com quem terá a oportunidade de trabalhar por estes dias.
Pelo contrário, a colaboração do grupo com Pedro Berardinelli e com Inés Badalo é já mais antiga, estando ligada à estreia (e, no caso de Berardinelli, à gravação) de outras obras encomendadas pela Arte no Tempo para o seu agrupamento de música de câmara, criado em 2018.
À excepção da consagrada obra de López López, todas as partituras que o grupo leva a Sueca são uma primeira interpretação pública para o Ars Ad Hoc, o que atesta o carácter fresco e desafiante do programa escolhido para esta viagem.
Este nível de compromisso reflecte bem a identidade do Ars Ad Hoc, agrupamento que tem desenvolvido um percurso discreto no panorama musical, mas marcadamente sólido, coerente e de uma exigência técnica e estética irrepreensível, consolidando-se como uma das vozes mais fiáveis e carismáticas na difusão da criação musical contemporânea em Portugal.
Surgido em 2018, o Ars Ad Hoc é o projecto de música de câmara da Arte no Tempo (AnT).
A partir de 2021, a música contemporânea assumiu maior proeminência no trabalho regular do grupo, que tem desenvolvido as suas residências artísticas e realizado concertos regulares na Fundação de Serralves, para além de outras apresentações em que combina a interpretação de música contemporânea com obras do grande repertório clássico/romântico/modernista.
Com programação de Diana Ferreira, o Ars Ad Hoc é formado por um corpo estável de músicos versáteis que, depois de se terem notabilizado em Portugal, complementaram os seus estudos no estrangeiro.
A sua actividade central é uma mini-temporada de 3 programas exclusivamente compostos por música contemporânea, que apresenta na Fundação de Serralves (Porto) e para a qual conta agora com o prestigiante apoio da Fundação Ernst von Siemens.
Soma-se a participação nas bienais da AnT e em diferentes festivais nacionais, bem como a interpretação de programas ‘clássicos vs contemporâneos’ em diferentes localidades, com o apoio do Banco BPI | Fundação "la Caixa".
Realiza ainda audições comentadas para escolas do ensino regular na região de Aveiro, no âmbito do programa ‘crescer com a música’, da AnT.
O Ars Ad Hoc concentra-se na interpretação de nova música para diferentes formações, com e sem electrónica, interpretando e estreando obras de compositores nacionais e estrangeiros, trabalhando sempre que possível em contacto directo com os criadores que, por vezes, escrevem música propositadamente para este grupo.
Mais do que procurar estrear muitas partituras e de diversos compositores, o Ars Ad Hoc preocupa-se, contudo, em aprofundar a sua interpretação de diferentes obras, proporcionando-lhes diferentes leituras ao longo do tempo.
A Arte no Tempo é financiada pela República Portuguesa - Cultura / Direcção-Geral das Artes. O Ars Ad Hoc é apoiado pelo Banco BPI | Fundação “la Caixa” e a Fundação Ernst von Siemens.