Oposição encontra mais conflito que obras no primeiro ano de mandato em Ílhavo.

Autarcas de todo o país assinalaram o primeiro aniversário da eleição autárquica de 2025.

Eleições realizaram-se a 12 de Outubro e no caso de Ílhavo com mudança na liderança da autarquia.

O PSD em coligação com o CDS garantiu maioria no executivo com três eleitos, a que se juntam três eleitos do movimento independente Unir para Fazer e um do PS.

Forças políticas analisam esse primeiro ano da data de eleição notando que Ílhavo viveu um primeiro ano marcado por “conflitualidade” sem conseguir fazer reduzir a tensão patente no mandato anterior.

Os partidos da oposição falam mesmo em quadro agravado pelo perfil pessoal e de comunicação em que assenta a nova liderança.

Para o Partido Socialista, que continua arredado do exercício do poder municipal há praticamente 30 anos, há sinais de “arrogância política”, criticados também na anterior gestão de maioria independente.

Destaca marcas como “ataques pessoais dirigidos pelo Presidente da Câmara, em diversos fóruns, a cidadãos que criticam democraticamente a sua atuação”; “boicote perpetrado pelo líder do grupo municipal do PSD ao funcionamento da Comissão de Acompanhamento das empreitadas do PRR”; “instrumentalização do mecanismo legal do regime de permanência a meio tempo” e “fuga ao debate democrático entre as forças políticas”.

Estrutura liderada por Eduardo Conde fala em exigência de “diálogo sério com as forças de oposição” como fator de estabilidade.

Defende ser “parte da solução e não do problema”, assegurando o funcionamento regular dos órgãos e a viabilização dos instrumentos orçamentais necessários à estabilidade governativa.

Recorda que Rui Dias anunciou, no início de mandato, a procura de convergência entre projetos políticos mas não apresentou sinais concretos dessa prática.

Dá como exemplo o debate sobre o Orçamento Municipal e o Pacote Fiscal para 2026 como indicadores ao arrepio dessa prática.

Alega que não foi ouvido.

Domingas Loureiro, representante do PS no DD, cita ainda a revisão da carta educativa como exemplo de documento estruturante que passou ao lado da oposição.

E sobre a ponte da Vista Alegre admite que fica como símbolo de comunicação pouco esclarecedora fomentando a desconfiança dos cidadãos (com áudio).

A concelhia socialista pede mais atenção a setores como saúde, habitação e educação em que exige “igualdade de oportunidades”.

Depois de anos de críticas sobre política ambiental o PS diz que a mesma “mantém-se obsoleta”, assente num “ultrapassado sistema de gestão de resíduos”.

Repete críticas sobre a falta de apoios ao comércio local, o adiamento da prometida intervenção nos centros cívicos das freguesias e acusa a maioria de manter políticas de mobilidade assentes no “caos rodoviário”.
Desafia o PSD a mudar de rumo deixando claro que três anos de mandato pela frente permitem “margem para inverter o rumo da governação”.

“Mantemos a forte expectativa de que o PSD faça o que se impõe a uma força política que governa em maioria relativa, que inicie os necessários processos de diálogo para a definição conjunta de prioridades que viabilizem as propostas do executivo”.

Acusado de em quatro anos pouco ter feito para além do lançamento das obras PRR, o movimento independente “Unir para Fazer” devolve a crítica.

Afirma que a abertura de mandato da maioria liderada por Rui Dias tem “pouco para mostrar” para além das obras PRR.

Fala de um ano marcado por tensões no debate político.

Pinto Reis lamenta alguns momentos menos felizes que deram origem a respostas igualmente acima do tom admissível.

O representante do UpF no programa “Discurso Direto” adianta que vários dossiês, nomeadamente o da Ponte da Vista Alegre, ajudaram a degradar o ambiente.

Fala em “ziguezagues” que levantam desconfiança entre os cidadãos e acusa a nova maioria de falta de consistência na comunicação salientando que há uma marca pessoal que influencia o tom dos debates (com áudio).

O Chega, pela voz de Sérgio Sarabando, lembra que o exercício de cargos públicos exige humildade.

Admite que o exercício de cargos está sujeito ao escrutínio e à crítica.

Afirma que a ponte da Vista Alegre foi ao longo do ano símbolo de uma relação com altos e baixos entre a maioria e os eleitores.

"Quanto nos propomos para um cargo, acima de tudo temos que ter humildade. Temos que aceitar as críticas. Na ponte não era preciso ser doutorado para arranjar uma solução".

Carlos Pedro Ferreira, do CDS, desdramatiza o quadro apresentado pelos partidos e movimento na oposição.

Fala em coerência do autarca que assume a sua forma de estar e comunicar como “inegociável”.

Encontra na liderança política do PSD e na coligação com o CDS um projeto com “rumo” e orientação para cumprir as promessas eleitorais (com áudio).

O PSD não marcou presença na edição deste fim de semana do programa “Discurso Direto” mas assinalou a data com encontro esta segunda e prepara a sua análise ao primeiro ano da eleição.