Ílhavo e Aveiro consideram o Porto de Aveiro nuclear no desenvolvimento dos territórios mas querem maior aproveitamento de infraestruturas associadas ao porto e avaliação rigorosa do impacto de investimentos futuros na expansão industrial.
Mensagem das autarquias foi deixada, esta manhã, na sessão solene comemorativa dos 218 anos da abertura da Barra.
Rui Dias assume o Porto de Aveiro como fundamental na matriz de desenvolvimento da cidade da Gafanha da Nazaré, do concelho de Ílhavo e da Região de Aveiro.
O autarca de Ílhavo diz que os mais de dois séculos de história da barra são esse sinal positivo.
Mas deixou alertas sobre novos planos de expansão.
O autarca de Ílhavo espera que a reconfiguração e alargamento da abertura da Barra seja bem ponderada para garantir sustentabilidade às atividades e enquadrados nos modos de vida atuais (com áudio)
Luís Souto Miranda chamou a atenção para o peso do porto na economia local e lançou desafio ao estudo da utilização da ligação ferroviária para outros fins que não apenas para transporte de mercadorias.
O autarca de Aveiro relança a antiga discussão sobre o transporte de passageiros.
Intervenção abordou questões como a expansão do cluster da construção naval no terminal sul, hoje marcado pelo surgimento de novas indústrias e pelo renascimento da construção naval associada à náutica de recreio.
Falou de dossiês ainda por fechar como a gestão da frente ribeirinha de São Jacinto, dando conta de avanços nesse processo.
Mas a nota mais marcante foi para as ligações ferroviárias entre a Gafanha da Nazaré e Aveiro (com áudio).
O presidente da Comunidade Portuária de Aveiro falou dos desafios que a estrutura enfrenta mas também de oportunidades para continuar a crescer.
Admite que o segredo está numa relação próxima com a indústria.
Nuno Pires aproveitou a cerimónia para deixar alerta sobre a gestão de terraplenos.
Admite que essas áreas de expansão são o maior ativo do Porto e devem obedecer a uma estratégia bem pensada e que não conduza aos esgotamento.
“Devemos gerir os terraplenos de forma a que as receitas do porto sejam as maiores mas sem condicionar aquilo que é o crescimento do porto. Se queremos porto a crescer precisamos de terraplenos. Devem ser geridos em termos temporais para poderem responder às necessidades do aumento de carga”.
Teresa Cardoso, presidente da APA, afirma-se confiante no futuro da estrutura portuária.
A nova administradora explica que há desafios ao nível da digitalização e da sustentabilidade da estrutura portuária para melhorar o grau de eficácia das operações.
Além da modernização há desafios também ao nível das acessibilidades marítimas e ferroviárias.
A abertura da Barra e a construção do Terminal Intermodal são dois exemplos dessas novas apostas.
Obra do terminal já está em curso num investimento de 15,9 milhões de euros, para aumentar a eficiência dos serviços ferroviários, agilizando o transporte de mercadorias e fortalecendo a capacidade de ligação do porto.
Permitirá 10 hectares de área operacional e linhas ferroviárias para comboios até 750 metros entre outras facilidades.
Teresa Cardoso entende que há condições para seguir um trajeto de crescimento com a integração do Porto em redes europeias (com áudio)
A data refere-se ao dia 3 de abril, data da abertura da Barra de Aveiro, em 1808, tendo marcado momento decisivo para o desenvolvimento da região, permitindo a ligação da Ria de Aveiro ao mar e impulsionando a atividade económica.