União tem "tempos de guerra".
O Feriado Municipal de Ílhavo marcado por discursos que acentuam o sentido coletivo da construção do concelho valorizando as diferenças ao nível político como ponte para plataformas de entendimento naquilo que pode ser o denominador comum em defesa dos interesse coletivo.
Paulo Pinto Santos, presidente da Assembleia Municipal de Ílhavo, destaca a herança cultural e cívica como ponte para o “futuro em construção”.
Realçou o exemplo de “coragem de gente e associações” em valores de sempre.
“São a base sólida do nosso caminho. Esse caminho deve inspirar-se nas nossas raízes”.
O dirigente político destaca a “inovação” como base de um tempo em que encontra em Ílhavo “condições ímpares para se afirmar” ao nível das empresas em momento em que o “desenvolvimento sustentável é exigência estratégica”.
O discurso acentuou, ainda, a importância da coesão territorial e social.
“Futuro deve assentar na educação e na coesão, progresso humano mais justo e mais participado”.
No dia em que o Feriado voltou ao salão nobre, “casa da democracia”, onde “convergem diferentes visões”, com “respeito institucional”.
“Desafio é crescer melhor, com qualidade, com inteligência e sustentabilidade. Ílhavo tem todas as condições para continuar como município de referência. Que nunca deixemos de acreditar no que somos capazes de alcançar”.
No dia em que o Chega esteve ausente, das restantes bancadas com assento na Assembleia Municipal ouviram-se palavras sobre a importância dos exemplos.
Carlos Pedro Ferreira, do CDS, fala em “momento de reconhecimento e de memória” destacando as distinções a figuras tidas como “referências concretas e exemplos”.
“Uma comunidade precisa de exemplos. Este momento é também de memória. Uma comunidade que não cultiva a memória perde direção. Ílhavo nunca perdeu estas dimensões. Sempre soube reconhecer quem contribuiu”.
O porta voz do CDS encontra no passado das secas do bacalhau um exemplo desse funcionamento em sociedade.
“Foi organização, método e capacidade de adaptação. Secas como sistemas humanos altamente organizados. Havia exigência e resposta à exigência. Deixou marca duradoura”.
Valores que encontra, ainda, na emigração e na “ligação real à sua terra”.
“Essa rede de pertença é uma das maiores forças de Ílhavo. Mar e emigração moldaram o caráter desta terra. Quando falamos de identidade falamos de práticas concretas”.
Carlos Pedro defende que Ílhavo precisa de “ação” e “não precisa de indecisões ou de bloqueios”.
Domingas Loureiro, do PS, destaca a celebração do Feriado como “momento de orgulho coletivo, responsabilidade cívica” e “compromisso”.
Aos desafios da comunidade com problemas concretos, Domingas Loureiro evocou os 50 anos da Constituição da República Portuguesa.
“Celebramos os 50 anos da CRP, de um projeto de democracia que consagrou direitos, liberdades e garantias. Celebrar estes 50 anos é mais do que exercício de memória. É lembrar que o poder local nasceu para servir as populações. É reconhecer o seu espírito”.
Realça a importância de “instituições próximas e decisões partilhadas”.
A porta voz do PS, membro da Mesa da Assembleia Municipal, defende as homenagens como honra ao passado e compromisso com o futuro.
“É nossa obrigação estar à altura desse legado”.
Quanto ao futuro lembra que o debate deve estar “orientado para as soluções” e foi às recentes eleições de Outubro de 2025 para alertar para a importância do diálogo.
“Os resultados disseram que os cidadãos queriam mais diálogo e ser ouvidos. Os problemas estão identificados há muito. É preciso que os problemas tenham resposta”, declarou, destacando áreas como Educação, habitação, saúde, ação social e juventude como prioritárias.
“Estamos a fazer o suficiente? Não. Não estamos. Temos obra feita? Temos mas não é suficiente. Governar é transformar. Implica coragem. Assumimos papel de oposição. Estamos aqui para propor e para construir soluções. Queremos que o nosso contributo conte. Que não seja decorativo”.
Elencou como apostas necessárias o reforço do investimento em áreas setoriais e uma “forma diferente de fazer política, mais próxima, mais transparente”.
O movimento independente “Unir para Fazer” escolheu João Braga para falar em nome da bancada.
Autarca de freguesia de São Salvador fez a defesa de uma sociedade unida.
Em tempos de “polarização” e de “extremos”, Braga destacou o apoio a associações, o zelo pelos seniores e o olhar atento sobre os jovens para que “sintam que é aqui a sua terra”.
E realçou a união como pilar da sociedade ilhavense.
“Nada se faz sozinho. É na união que encontramos força para superar os desafios. Hoje somos um município que sabe combater as desigualdades. Jovens partilham os mesmos anseios. A fisionomia muda mas a essência do carácter permanece intacta”.
Realça o papel dos ilhavenses enquanto “cidadãos universais” e o “talento” que marca a sua presença nos quatro cantos do mundo mas também a sua capacidade de acolhimento.
Mais uma vez procurou no sentido comunitário resposta para as “fraturas” em que navegam as sociedades atuais.
“Para sermos município coeso é preciso que todos se sintam em casa”.
Não podemos falar de união e criar entraves. Ser solidário é ser capaz de dar as mesmas oportunidades a todos”.
Braga assinala, ainda, a coincidência do Feriado Municipal em dia que assinala os 5 anos de existência do UpF.
Defende essa presença na cena política como construtiva.
“É mais o que nos une do que o que nos separa”, afirmou, desafiando o Município a renovar a ambição.
“Vamos ter novos equipamentos. Devemos ter orgulho no que foi feito. Uma terra com novos equipamentos vai ficar melhor. Não podemos recuar. Temos que progredir de forma irreversível”.
A bancada do PSD escolheu José Augusto Carapelho para discursar.
O autarca de freguesia da Gafanha da Encarnação e presidente da concelhia do PSD, assumiu o Feriado como momento para “afirmar” a cultura ilhavense num contexto mais “pausado”.
“Momentos de pausa consciente no ritmo acelerado nos dias” salientando Ílhavo como “terra de trabalho, coragem e de ligação profunda ao mar e à ria”.
Definindo herança como “compromisso” e lembrando que nenhuma terra se constrói apenas com história, acentuou o papel do poder local como espaço de encontro e construção.
“Poder local é o que sente as dificuldades no terreno. É no poder local que a ação deixa de ser abstrata para ser humana. Garantir qualidade de vida não é objetivo. É dever”.
Carapelho referiu-se ainda ao Portugal democrático como celebração que não deve ser dada como garantida e avisou para a importância de dar as mãos.
“Liberdade por si só não basta. Exige união entre todos os que fazem de Ílhavo a sua casa. É mais o que nos une do que o que nos separa”.
A frase que mais se ouviu no Feriado Municipal viria, de novo, ao salão nobre lembrando que apesar das diferenças a sociedade é espaço para pontos de convergência.
“Feriado é símbolo de identidade, de pertença. Todos contam, todos têm um papel”.
O porta voz do PSD destacou as apostas no campo da educação como decisivas por estar na base de tudo.
“Prepara-nos para os desafios. Investir na educação não é apenas investir nas escolas. É investir nas pessoas. Educar não é transmitir conhecimento. É formar cidadãos livres”.
O desafio à cooperação foi vincado como arma contra as dificuldades.
“Sabemos que temos tudo para continuar a crescer. Cabe-nos cumprir esse potencial”.