A comissão criada pela Assembleia Municipal de Ílhavo para acompanhar as obras PRR não tem dados para apresentar e a reunião da Assembleia da passada sexta-feira deixou expresso o desconforto por ver que a decisão da Assembleia está por cumprir em termos de conteúdo.
O embaraço tomou conta da Assembleia que vê uma decisão por si tomada não ser cumprida.
Aprovada em Fevereiro, por maioria, com 12 votos a favor (8 da UPF e 4 do PS) e 13 abstenções (9 do PSD, 2 do CH e 2 do CDS), a Comissão Eventual de acompanhamento dos projetos financiados ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência tem como missão acompanhar a execução dos projetos financiados pelo PRR no concelho, reforçando os mecanismos de monitorização, transparência e escrutínio sobre investimentos estruturantes para o desenvolvimento do Município.
A comissão reuniu pela primeira vez a 14 de Abril mas em três meses não conseguiu apresentar reportes.
Desde a tomada de decisão até hoje, apenas foi confirmada a tomada de posse dos membros integrantes e a falta de reuniões ou informações sobre o decurso das obras financiadas pelo programa de recuperação e resiliência.
A ausência do coordenador, Flor Agostinho, por questões de saúde, e vários deputados municipais que integram essa comissão na reunião da passada sexta-feira, não evitou que ficassem registadas críticas à falta de ação.
Sérgio Lopes, do PS, foi o único membro presente e confessou que não há grande atividade visível considerando que ao fim de alguns meses este é um quadro que coloca os representantes dos partidos num plano de impotência numa comissão que não funciona.
Perante as críticas oriundas de diversas bancadas, chegou mesmo a colocar-se como último recurso mudança na coordenação.
Sem informações em Abril, Maio e Junho nem avanços conhecidos, PS e Unir para Fazer apontam o dedo ao PSD que mostrou resistência perante a criação da comissão mas reclamou para si a coordenação.
Luís Leitão, vogal do PS, admite que esta forma de trabalhar acaba por representar o paradigma das comissões em Portugal (com áudio)
Serafim Pinto, do movimento independente Unir para Fazer, recorda todo o processo que levou à instituição da comissão de acompanhamento, desde as reticências do PSD até ao processo de escolha de coordenador para concluir que está desenhado um quadro de bloqueio (com áudio)
Margarida Alves, do PSD, desvaloriza as críticas sobre a falta de ação da comissão.
Afirma que muita da informação está divulgada no site da autarquia e que os deputados não podem queixar-se de falta de informação (com áudio)
António Pinho, do CDS, admitiu que o debate se tornou inútil uma vez que apenas um membro da comissão se encontrava na sala.
O deputado deixou claro que esse debate não fazia muito sentido naquelas circunstâncias (com áudio)
As críticas da oposição viriam a merecer uma tomada de posição do autarca de Ílhavo, que sentiu visado negando responsabilidade nos atrasos.
Rui Dias lamentou o tom acusatório de quem considera que a falta de atividade da comissão fosse do interesse da maioria.
Alega que toda a ajuda sobre o andamento do PRR e as preocupações com atrasos é algo partilhado por todos em Ílhavo e em todo o país.
O autarca diz que essa falta de informação e resultados deve ser imputada em exclusivo à comissão coordenada por um deputado do PSD (com áudio)