Reciclar carbono (parte 2)
A semana passada falámos-lhe do biochar, e contámos-lhe que este material permite reciclar carbono. Hoje vamos explicar melhor. O biochar é um material obtido por pirólise de resíduos orgânicos biodegradáveis ou resíduos florestais. A pirólise é uma espécie de combustão, mas feita sem ar nem chama. O biochar resultante é muito poroso e rico em carbono e compostos químicos úteis para a agricultura. Por esta razão, o biochar tem sido aplicado no solo para fornecer nutrientes às plantas, mas também para aumentar a retenção de água, podendo até diminuir a necessidade de rega em mais de 80%.
Além disso, o biochar tem outras características com grande interesse ambiental. Como é um material rico em carbono que não se degrada com facilidade, aplicar biochar no solo é uma forma eficiente de sequestrar carbono e diminuir a emissão de gases com potencial de efeito de estufa. Há ainda outras aplicações muito recentes do biochar: a libertação controlada de fitofármacos no solo, a adsorção de contaminantes em solos, águas residuais e efluentes gasosos, ou ainda suporte físico para cultivar microrganismos com interesse biotecnológico e farmacêutico.
Uma última curiosidade: o interesse pelo biochar surgiu quando os cientistas constataram que alguns solos da Amazónia apresentavam grandes quantidades de material escuro – e assim lhes chamaram Terra preta. Com este material, os antigos povos daquelas regiões terão encontrado uma forma de melhorar a sua agricultura e prosperidade. Milhares de anos depois, cabe-nos tirar partido deste saber ancestral e usar a engenharia para fazer prosperar o nosso ambiente.
Por isso, não se esqueça que o carbono é vida. Respeite-o e tire partido dele!
Flávio Silva
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