Adriana Rodrigues questiona planeamento dos serviços públicos com base em estimativas populacionais desajustadas.
A deputada do PSD eleita por Aveiro defendeu no Parlamento que a ausência de 637 mil pessoas nas estatísticas para 2024 “teve consequências na capacidade e na qualidade dos serviços, incluindo na segurança pública”.
Intervindo numa audição ao presidente do Conselho Diretivo do INE, a parlamentar social democrata criticou o anterior Governo por não ter incorporado atempadamente no planeamento público os sinais de que a população residente era significativamente superior à refletida nas estimativas.
A deputada do PSD Adriana Rodrigues questionou, numa audição parlamentar ao presidente do Conselho Diretivo do INE, se o planeamento dos serviços públicos acompanhou o crescimento da população residente em Portugal.
Para 2024, a estimativa revista aponta para 11 milhões e 387 mil residentes, mais 637 mil do que a série anteriormente publicada, uma diferença de 5,9%.
“Não podemos concluir que o Governo tenha manipulado as estatísticas, porque o INE é independente. Mas existiam sinais de que a realidade era diferente, sem tradução atempada no planeamento público”, afirmou a parlamentar, sublinhando que a revisão das estimativas “não constitui uma simples atualização técnica”.
Adriana Rodrigues recordou os alertas do PSD sobre a pressão nos serviços públicos e sobre o impacto das estimativas populacionais nos indicadores de riqueza por habitante.
Referiu ainda que Mário Centeno afirmou, a 30 de junho, que “há muitos anos” se sabia que a população era superior a 10 milhões e que, enquanto integrava o Governo, questionava o INE sobre a discrepância entre o emprego identificado e a população contabilizada.
“Estas pessoas não apareceram em Portugal no dia em que o INE reviu a série”, salientou a deputada.
“Já cá estavam, trabalhavam e recorriam à habitação, aos transportes, à saúde e às escolas”.
Para Adriana Rodrigues, a diferença agora revelada levanta questões sobre a adequação do planeamento de serviços públicos feito com base numa população significativamente subestimada.
A deputada aveirense concluiu que a imigração pode contribuir para a economia e para a sustentabilidade demográfica, desde que seja regulada e acompanhada por serviços públicos com capacidade e informação fiável.
Na audição parlamentar, o presidente do INE atribuiu a revisão em alta da população à adoção de uma nova metodologia baseada no cruzamento de dados administrativos para contabilizar com maior rigor os cidadãos residentes.
O instituto assumiu que esta evolução estatística exigirá a revisão oficial do PIB per capita em março de 2027 e reconheceu ter enfrentado dificuldades técnicas e atrasos na transmissão de dados por parte da AIMA.