O concurso para a obra de reabilitação da Ponte da Vista Alegre não encontrou resposta no mercado para a recuperação da ponte e a autarquia poderá avançar para negociação direta.
Empresas que demonstraram interesse acabaram por não ir a jogo e o tema está de novo a levantar interrogações e críticas ao executivo municipal de Ílhavo.
A pressão pela reabertura da travessia conhece mais uma etapa.
O valor base da empreitada, na casa dos 500 mil euros, retraiu os potenciais candidatos.
A autarquia prepara uma reação e vai explicar os próximos passos desta operação mas não se livra das críticas pela forma como o processo tem vindo a ser gerido.
O empresário Paulo Macedo já criticou a forma como foi instruído o processo admitindo que os 500 mil euros não seriam suficientes para dar esse conforto aos pretendentes numa obra que tem as suas especificidades.
“Quando foi anunciado um preço base de 500 mil euros, manifestei aqui várias vezes as minhas sérias dúvidas de que alguma empresa estivesse disponível para executar uma intervenção desta natureza por aquele valor. Não era preciso ser especialista em pontes para levantar essa dúvida. Bastava conhecer minimamente a realidade da construção civil, os custos atuais das empreitadas e a complexidade de intervir numa estrutura destas”.
A crítica à dirigida à forma como se tem vindo a desenhar a resposta a um problema gerado pela degradação da estrutura e que levou ao encerramento da ponte em dezembro de 2025.
Quase um ano depois permanece a incerteza em torno das datas de reabertura.
Paulo Macedo aponta o dedo à gestão política do processo.
Lembra que ao fim de “meses de estudos, contactos, especialistas e entidades consultadas”, o concurso é um falhanço.
“A ponte está encerrada desde dezembro de 2025. Há populações prejudicadas diariamente. Há empresas afetadas. E, acima de tudo, há mais tempo que se perdeu”.
O empresário teme que a autarquia seja obrigada a perder mais tempo com as alternativas e pede responsabilidades políticas.
“O Presidente da Câmara deve explicar aos ilhavenses o que falhou, porque falhou e quanto tempo e dinheiro este fracasso poderá ainda custar ao Município”.
A autarquia prepara-se para explicar os contornos do processo e entre as possibilidades está a subida do valor base do concurso ou uma negociação direta com empresas que manifestaram interesse no concurso.
Esta segunda via permite maior celeridade no processo.
Resta saber quais os custos da operação que resultem da solução final.