José Luís Cacho apresenta livro sobre gestão de portos.

José Luís Cacho apresenta a sua visão para os portos.

O antigo administrador dos portos de Aveiro e Sines lança livro sobre o sistema portuário.

“O Despertar dos Portos” apresenta o "papel crucial" destas infraestruturas na economia portuguesa, o seu modelo de gestão descentralizada, e critica a antigas decisões políticas.

A obra é apresentada esta quinta-feira, 1 de Outubro, às 17h30, no Museu do Oriente, em Lisboa.

José Luís Cacho trabalhou durante décadas nos bastidores, nas decisões e na linha da frente do mundo portuário.

Foi presidente dos portos de Sines, de Aveiro e da Figueira da Foz, e concebeu e co-fundou a Associação dos Portos de Língua Oficial Portuguesa.

Agora, faz uma reflexão sobre a história moderna desse universo e o seu futuro em “O Despertar dos Portos — De Aveiro a Sines: a reinvenção do sistema portuário português” (Edições Tinta-da-China), contada por ele e 20 protagonistas desse processo, como António Costa Silva, Natércia Cabral ou Jorge d'Almeida.

A apresentação da obra está a cargo do economista António Nogueira Leite.

A obra evoca o plano decisivo implementado por João Cravinho (1936–2025) enquanto ministro do Planeamento e Administração do Território, definido em 1998 no "livro branco" Política Marítimo-portuária Rumo ao Século XXI, que iniciou uma transformação profunda e continuada do sector, acima de tudo ao dar aos portos o ainda vigente modelo de gestão empresarial.

"Os portos, mais do que infra-estruturas de cais e guindastes, são nós vitais de uma economia aberta ao mundo", lê-se na introdução do livro de Cacho.

"São pontos de contacto entre o território e as rotas globais, barómetros silenciosos da competitividade nacional."

"Vivemos num mundo em constante mudança e agitação, onde os portos e o transporte marítimo continuam a desempenhar um papel fundamental, tal como no passado, tanto do ponto de vista económico como por razões de segurança. Os portos portugueses devem ser proactivos, no sentido de adaptarem a sua estratégia a esta nova realidade e estarem atentos aos desafios impostos pelas alterações climáticas".

Fala em “estruturas integradas em cadeias logísticas regionais, onde desempenham um papel económico muito relevante para as regiões em que estão inseridos”.

“À semelhança da maioria dos países europeus, importa aprofundar e flexibilizar o modelo empresarial de gestão, assegurando a autonomia, articulando-o com as estruturas políticas regionais e com o tecido económico local."

Mas a evolução portuária portuguesa não foi linear.

O livro é, em várias passagens, crítico do Governo que em 2014 bloqueou a expansão do terminal de contentores do Porto de Sines (Terminal XXI).

"Uma decisão governamental deve ser sempre sustentada numa avaliação técnica. Eventualmente, neste caso, os fundamentos para a decisão política ou não tinham esse suporte técnico ou então apoiaram-se em informações que tinham por base um cenário irrealista", aponta Cacho.

"Isso teve consequências profundamente negativas para o futuro e para as ambições de Sines, com efeitos a médio e longo prazo, provocando um atraso de sete anos no desenvolvimento do porto".

O Despertar dos Portos fixa o itinerário histórico da revolução moderna destas infra-estruturas, oferece elementos essenciais a análises académicas e antecipa linhas para novos planeamentos.

É uma reflexão intensa sobre as últimas décadas e um mapa para o futuro.
"Tenho uma profunda convicção na importância dos portos na economia portuguesa", afirma José Luís Cacho.

"Defendo uma maior integração deles no tecido económico das regiões, num modelo descentralizado, construído em articulação com as empresas e entidades públicas locais. Os portos são genuínas portas de ligação ao mundo, com um papel crucial, global, na evolução das sociedades, que não começou hoje nem terminará amanhã."