Quarenta anos de rádio explicados na primeira pessoa por um investigador universitário cuja ligação à rádio começou nos anos 80 na Terra Nova.
Luís Miguel Loureiro, investigador do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade e professor na Universidade do Minho, antigo profissional de rádio e televisão, recorda os anos 80 como a concretização dos sonhos da liberdade de Abril de 1974.
Os primeiros passos na comunicação, numa rádio local que nasceu em 1986, na Gafanha da Nazaré, freguesia do concelho de Ílhavo, abriram caminho a um percurso de 40 anos na comunicação.
Quarenta anos volvidos, admite que esse foi um tempo vibrante marcado pelo arranque de vários projetos de comunicação que fizeram da rádio o espaço experimental em que autodidatas construíam diariamente o sonho (com áudio)
Em entrevista ao programa “Conversas”, o docente universitário fala sobre os desafios do jornalismo.
Experiências em diferentes meios como a Rádio Terra Nova, Rádio Nova, Rádio Comercial e RTP foram escola e vida profissional.
Da integração em equipas de investigação, com destaque para o programa “Sexta às 9”, até à mudança para a área do ensino, depois de um doutoramento em ciências da comunicação, o percurso percorre 40 anos de histórias.
Poucos dias depois da distinção de um artigo sobre a “escuta como ética”, reconhecido como o melhor do ano 2025 pela Associação Internacional da Escuta (International Listening Association), artigo publicado na principal revista científica mundial de estudos sobre Escuta (International Journal of Listening), o jornalista faz a defesa de um mecanismo essencial à compreensão dos tempos modernos.
A partir de experiências sensoriais, considera que o silêncio é fundamental para conseguir “escutar” e entender conteúdos processados na era da hipercomunicação (com áudio)
Com tanto ruído no ar, vidas aceleradas e máquinas que dominam conteúdos, Luís Miguel Loureiro fala da escuta como imperativo ético.
Inspirado na obra de José Saramago, “Ensaio sobre a Cegueira”, admite que a luz (ruído) é, hoje, fator de “cegueira” (com áudio)
O que se pode escutar e ver para lá do ruído diário como desafio para as sociedades modernas.
Luís Miguel Loureiro não tem dúvidas que esse é também fator que pode ajudar a fazer a diferença na capacidade de ouvir o outro e reduzir tensões e radicalismos.
Fugir ao ruído, ser capaz de silenciar a voz interior e partir do silêncio para uma comunicação mais eficaz são os desafios dissecados em estudo publicado por revista de referência.
O programa "Conversas" tem emissão esta quarta às 19h e reposição no domingo às 13h.