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Educação à Escuta

Um programa da responsabilidade do CIDTFF da Universidade de Aveiro. Porque a diferença está na Educação e a Educação faz toda a diferença

Timor-Leste um país independente há 18 anos!..

18, Maio 2020

Isabel P. Martins

Completam-se hoje 18 anos sobre a declaração da independência de Timor-Leste e o seu reconhecimento internacional, cerimónia que ocorreu no dia 20 de maio de 2002, em Díli, perante a comunidade internacional. Foi, então, dito que Timor-Leste era o primeiro país a ‘nascer’ no século XXI.

A alegria estava no rosto de todos, mas os desafios que surgiam eram enormes. A destruição verificada após o referendo de 1999, tornou clara a dimensão da tarefa a enfrentar. No domínio da educação, o sistema de ensino vigente durante 24 anos da ocupação indonésia, colapsou. A construção de currículos próprios, de recursos didáticos, de infraestruturas e a formação de professores precisaria de muita colaboração internacional, de muito investimento e, sobretudo, de uma visão clara por parte dos responsáveis sobre qual o caminho a seguir na recuperação plena do direito à educação de todos os timorenses.

A assunção da língua portuguesa como uma das duas línguas nacionais, a par com o tétum (artigo 13.º da Constituição), e o português como língua de ensino, trouxeram desafios acrescidos a Timor-Leste e responsabilidades a Portugal ao ser chamado a colaborar nos projetos de reintrodução e consolidação da língua portuguesa, a partir de 2001. Sucederam-se programas para Ensino Básico, 1.º, 2.º e 3º Ciclos, conforme a Lei de Bases da Educação (2008).

Em 2009, o Ministro da Educação do IV Governo Constitucional tomou a decisão de reestruturar o Currículo do Ensino Secundário Geral (10.º, 11.º e 12.º ano), e Portugal foi chamado a colaborar, através da Fundação Calouste Gulbenkian e do Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento. A FCG convidou a UA para conceber o currículo, os programas das disciplinas nele incluídas, bem como os recursos didáticos para alunos e professores (Projeto “Falar Português”).

A coordenação executiva (Isabel P. Martins & Ângelo Ferreira) constituiu uma equipa de mais de 60 especialistas de 14 disciplinas, que se encarregaram, 2010-2013, de conceber o Plano Curricular, 14 Programas disciplinares para os 3 anos, 42 Manuais para alunos e 42 Guias Didáticos para professores. Todo material, em ficheiros, foi entregue ao ME-RDTL para uso livre e pode ser consultado (www.ua.pt/esgtimor). O projeto foi totalmente financiado por Portugal, através do Fundo da Língua Portuguesa. O trabalho da equipa portuguesa foi sendo partilhado com o ME-RDTL e professores timorenses, ao longo de várias missões que levaram a Timor-Leste 40 dos autores portugueses.

Em 2012 teve início a implementação do novo 10.º ano, começando os materiais a chegar às escolas, distribuídos gratuitamente pelo ME-RDTL.

Paralelamente à implementação do novo currículo, o Ministro da Educação preocupou-se em criar um Programa de Formação contínua de Professores, no qual a UA se envolveu em parceria direta com o ME-RDTL. A formação decorreu de junho de 2012 a dezembro de 2014, numa perspetiva de formação de formadores.

Em 2016 foi definido novo Projeto, o “Formar Mais”, em vigor de julho 2016 a dezembro 2018, no âmbito de uma parceria bilateral Camões, IP/ INFORDEPE (ME-RDTL). A UA assumiu a supervisão científico-pedagógica. Ao longo de 30 meses, um grupo de 15 formadores do ESG e 11 formadores de Português para o 3.º CEB, trabalharam com professores em escolas distribuídas pelos 13 municípios de Timor-Leste, proporcionando uma formação contínua em contexto de escola. Os formadores foram acompanhados por um Back-Office criado na UA, em trabalho a distância.

A participação da UA nestes três projetos de cooperação só foi possível dado o conhecimento construído ao longo de vários anos sobre desenvolvimento curricular, conceção de recursos didáticos e formação de professores. Timor-Leste está, assim e hoje, mais perto de nós!

Para conhecer mais:

Projetos: www.ua.pt/esgtimor

Martins, I.P., & Ferreira, A. (2013). A Reestruturação Curricular do Ensino Secundário Geral de Timor-Leste. Um caso de cooperação da Universidade de Aveiro no domínio da educação. In C. Morais, & R.L. Coimbra (Eds.). Pelos Mares da Língua Portuguesa I (pp. 97-110). Aveiro: Universidade de Aveiro (ISBN: 978-972-789-393-5; disponível on-line).

Martins, I.P., & Ferreira, A. (2015). Ensinar e Aprender em Português em Timor-Leste: O caso do Ensino Secundário Geral. In A. M. Ferreira, & M. F. Brasete (Eds.). Pelos Mares da Língua Portuguesa 2 (pp. 395-408). Aveiro: UA Editora, Universidade de Aveiro (ISBN: 978-972-789-437-6; disponível on-line).
 

Ramos, Ana Margarida (2012). Literatura timorense: da emergência à legitimação. Caderno Seminal Digital, 18. Rio de Janeiro: Dialogarts, pp. 149-160 (ISSN 1806-9142 versão papel e on-line).

Bonito, J., Rebelo, D., Morgado, M., Gomes, C., Coelho, C., Soares de Andrade, A., & Marques, L. (2014). Contributos da reforma curricular em Timor-Leste para a literacia do cidadão em Ciências da Terra. Terrae Didatica, 10(3), 436-454. [ISNN 1980-4407 versão papel e on-line].

Martins, I.P., Pedrosa, M.A., Ferreira, A.J., & Simões, M.O. (2014). Química e educação para a sustentabilidade: fundamentos e propostas curriculares para Timor-Leste. Educació Química EduQ, 17, 20-29 (ISSN: 2013-1720 – electronic; 2013-1755 – paper; disponível on-line).

 

Isabel P. Martins

Universidade de Aveiro, 20.05.2020

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